Novos nomes, sem apagar o passado de Navegantes

Foto: Simulação/ I.A.

Pouco mais de dois meses atrás, o editorial do Jornal nos Bairros manifestou-se contrário à alteração do nome de alguns logradouros públicos em Navegantes, como as ruas 26 de Agosto, no bairro São Pedro, Francisco José Baron, na Meia Praia, e Olindio de Souza, em Escalvados. A posição do jornal estava fundamentada na preservação da história da cidade, uma vez que os nomes citados possuem ligação direta com a trajetória de Navegantes, seja por meio de personagens que contribuíram para o desenvolvimento do município, seja pela referência a datas marcantes da história local.

Na ocasião, defendemos que novos homenageados fossem lembrados em vias ainda sem denominação oficial ou em logradouros cujos nomes não possuíssem vínculo histórico com Navegantes.

Nas últimas semanas, projetos encaminhados pelo Poder Executivo seguiram justamente essa lógica. As propostas preveem a substituição dos nomes das ruas Brasília, na região central, e Itajaí, no bairro São Domingos, por Arnaldo Gaya e Nezinho Dias, duas personalidades ligadas à história e à cultura navegantina.

No mesmo sentido, a vereadora Adriana Macarini (PP) destinou o nome de Dionísio de Oliveira a uma via sem denominação oficial no bairro São Paulo, enquanto o vereador Gabriel dos Anjos (Podemos) propôs o nome de Beco Ivo Pivatto para um logradouro ainda não batizado na Volta Grande.

Se antes criticamos critérios que colocavam em risco a memória local, agora reconhecemos e elogiamos a adoção de um caminho mais adequado. É possível prestar homenagens sem apagar referências históricas já consolidadas na cidade.

Ainda assim, entendemos que propostas envolvendo nomes de logradouros públicos deveriam passar previamente pela análise da Fundação Cultural. O órgão possui conhecimento técnico e histórico para auxiliar vereadores e Executivo, evitando equívocos e contribuindo para que as decisões respeitem a identidade, a memória e o patrimônio cultural de Navegantes.

As ruas não servem apenas para indicar endereços. Seus nomes ajudam a contar a história de uma cidade. E preservar essa história é uma responsabilidade de todos.


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