
ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES
Acadêmica: Jornalista Louise Benassi, cadeira 13
Neste mês de agosto, comemoramos os 64 anos da emancipação político-administrativa de Navegantes. Uma figura que merece destaque na história da emancipação do município é o ex-vereador e presidente da primeira legislatura da Câmara Municipal, Osório Gonçalves Vianna (1918-1975).
Osório, que na época era um técnico em tecelagem já aposentado, foi o idealizador e líder do processo de independência de Navegantes, até então distrito de Itajaí. Em seu livro Navegantes e sua história, relatou que a ideia surgiu após uma conversa com o padre Gilberto Luiz Gonzaga, que lhe revelou o desejo do arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira de criar a Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes. “Pensamos em juntar o útil ao agradável, transformando esta linda gleba de terra em município”, escreveu.
Sua companheira, Maria Jocelina Couto, e seu amigo, o portuário João Henrique Reis (1910-2000), abraçaram a proposta. No fim de janeiro de 1962, Osório buscou orientação com o então prefeito de Itajaí, Eduardo Solon Cabral Canziani, e organizou a Comissão de Emancipação. Inicialmente, integraram o grupo: o estivador Athanásio Joaquim Rodrigues (1893-1972), que viria a ser prefeito provisório do município; Cirino Adolfo Cabral (1924-1999), que seria o primeiro prefeito eleito; os comerciantes Olindo José Bernardes (1922-1975) e Vicente Honorato Coelho (1897-1985); o gerente de uma marcenaria que realizava exportação em Itajaí, Sebastião Andriani (1927-2007), que viria a ser vereador na 3ª legislatura; e o jovem Onofre Joaquim Rodrigues Júnior (1937-2021), o Veloso. Posteriormente, Sebastião e Onofre deixaram a comissão e foram substituídos pelo carpinteiro naval João Honorato Coelho (1907-1988), o Joca, e por Arnoldo Bento Rodrigues (1930-1972), que, assim como Osório e Veloso, viria a ser vereador na primeira legislatura. Também passou a atuar ativamente no movimento o oficial da Marinha Mercante Francisco Marcelino Vieira (1901-1983), que também viria a participar da 3ª legislatura.

As reuniões aconteciam aos domingos nas residências de Osório, Athanásio e do comerciante Ewaldo Reiser, que, juntamente com Arthur Gaya (Tula), auxiliava nas despesas da campanha. Cirino Adolfo Cabral utilizava a kombi do Armazém Irmãos Cabral, de Itajaí, para transportar os integrantes da comissão pelas localidades onde eram recolhidas as assinaturas necessárias à emancipação. Folhetos convocavam os moradores do Pontal, Navegantes, São Domingos, Machados, Volta Grande, Escalvados, Escalvadinho, Queimadas e São Nicolau a apoiarem a criação do novo município.
Com as assinaturas reunidas, o documento foi entregue ao vereador Nilton Kucker, que protocolou o projeto na Câmara de Itajaí. Em 14 de maio de 1962, o desmembramento foi autorizado pela Resolução nº 2. Com o apoio do deputado Elias Adaime, a proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa, e o município de Navegantes foi criado pela Lei nº 828, de 30 de maio de 1962.
A instalação oficial ocorreu em 26 de agosto de 1962, com a presença do governador Celso Ramos e do arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira, marcando o início da trajetória administrativa e paroquial do novo município.
