As primeiras eleições de Navegantes

Athanázio Rodrigues (primeiro da esquerda para direita) desistiu de disputar as primeiras eleições após brigas no próprio partido. Na foto, Athanázio com o governador Celso Ramos. Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

POR ROGÉRIO PINHEIRO

Com a emancipação de Navegantes, em 1962, começou também a organização política do novo município. Enquanto Athanázio Rodrigues foi escolhido prefeito provisório por decreto do governador Celso Ramos (PSD), três partidos articulavam suas candidaturas para a primeira eleição municipal. A coluna “Outros quinhentos” conta, nesta edição especial do aniversário de 64 anos de Navegantes, como foram as primeiras eleições do novo município.

Após se emancipar de Itajaí, no dia 26 de agosto de 1962, Navegantes começou uma corrida contra o tempo para que os partidos lançassem candidaturas aos cargos de prefeito e vereador. Naquele ano, as eleições estavam marcadas para o dia 7 de outubro. Além de prefeito e vereadores, o eleitor navegantino iria escolher deputados federais, estaduais e senadores.

O Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) lançaram candidatos a prefeito. Adílio Juvenal Mafra foi o nome escolhido pelo PSD. Cotado para ser candidato pelo PTB, Athanázio Rodrigues desistiu após brigas no próprio partido. Em seu lugar, entrou Cirino Adolfo Cabral. Já a União Democrática Nacional (UDN) decidiu apoiar a candidatura de Cirino Cabral.

Sem santinhos ou publicidade nos jornais, Cirino e Adílio fizeram suas campanhas de casa em casa e em pequenos palanques improvisados. Em 1962, Navegantes tinha aproximadamente 10 mil habitantes, metade deles morando na zona rural. Os eleitores eram menos de 2 mil. Apesar das brigas que aconteciam com frequência entre PSD e UDN, a campanha entre os candidatos foi tranquila.

Primeiro prefeito venceu com uma diferença de 109 votos

No domingo, 7 de outubro, a população de Navegantes saiu de casa em peso para eleger seu primeiro prefeito. A votação transcorreu também de forma tranquila e sem incidentes. Depois da apuração, Cirino Adolfo Cabral (PTB) foi eleito prefeito de Navegantes com 842 votos, contra 733 de Adílio Juvenal Mafra (PSD).

A diferença entre os dois candidatos foi de apenas 109 votos. Um detalhe que chama atenção foram os 118 votos em branco. Caso tivessem sido destinados ao segundo colocado, poderiam ter mudado o resultado da primeira eleição municipal de Navegantes. Os votos nulos, por sua vez, somaram apenas 11.

Além do prefeito, foram eleitos sete vereadores. Pela UDN, Arnoldo Bento Rodrigues, Manoel Durval Costa e Osório Gonçalves Viana. Pelo PSD, foram eleitos Manoel Antônio Coelho e Nereu Liberato Nunes. Já Onofre Joaquim Rodrigues e Gildo Batista foram os vereadores eleitos pelo PTB.

Cirino Cabral venceu Adílio Mafra com uma diferença de apenas 109 votos.     Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

A diplomação do primeiro prefeito, bem como dos primeiros vereadores, foi realizada no dia 27 de novembro de 1962. Já a posse dos eleitos aconteceu em 31 de janeiro de 1963. A primeira Câmara de Vereadores de Navegantes ficou assim constituída: presidente Osório Viana (UDN), vice-presidente Onofre Rodrigues Júnior (PTB), 1º secretário Arnoldo Rodrigues (UDN) e 2º secretário Gildo Batista (PTB).

De acordo com a ata da primeira sessão, realizada no salão nobre da Prefeitura Municipal, Osório Gonçalves Viana foi empossado como presidente por ser o vereador mais idoso, acompanhado por Arnoldo Bento Rodrigues e Gildo Batista como primeiro e segundo secretários, respectivamente. O mandato da legislatura foi válido até janeiro de 1967.

Durante a votação secreta, foram eleitos os membros da Mesa Diretora da Casa. Para presidente, Osório Gonçalves Viana recebeu cinco votos, contra dois a favor de Manoel Antônio Coelho. Na disputa pela vice-presidência, venceu Onofre Rodrigues Júnior, depois de obter cinco votos. Como primeiro-secretário, a maioria ficou ao lado de Arnoldo Bento Rodrigues e Gildo Batista, com quatro votos válidos e dois em branco.

A primeira sede da Prefeitura Municipal de Navegantes foi uma casa de madeira na avenida João Sacavém, em frente à Colônia de Pescadores. A casa pertencia à filha de Athanázio Rodrigues. Em seguida, o prefeito Cirino Adolfo Cabral começou a despachar no casarão da professora Paulina Gaya. O mandato do prefeito de Navegantes, que terminaria no dia 31 de janeiro de 1967, foi estendido até 1968 com a chegada dos militares ao poder, em 1964.

Em fevereiro de 1965, a Câmara de Vereadores elegeu sua Mesa Diretora, tendo Osório Viana (UDN) como presidente e Onofre Rodrigues Júnior (PTB) como vice-presidente. A composição buscava dar sustentação política à administração do primeiro prefeito, Cirino Adolfo Cabral.

Com a implantação do bipartidarismo em 1964, as antigas legendas deram lugar à Arena e ao MDB. Em 1966, a Arena já possuía sua direção organizada em Navegantes, presidida por Dorval Theodoro da Costa, enquanto o MDB ainda não havia constituído sua executiva municipal, situação ironizada pelo Jornal do Povo, que chamava o partido de oposição de “Mandabrasa”.

A segunda eleição para prefeito ocorreu em 1968. A Arena enfrentava disputas internas entre antigos integrantes da UDN e do PSD, enquanto o MDB tinha Onofre Rodrigues como um de seus principais nomes. José Juvenal Mafra, conhecido como Zuza e candidato da Arena, acabou eleito o segundo prefeito da história de Navegantes.

Em novembro de 1969, os navegantinos voltaram às urnas, desta vez apenas para escolher os vereadores. A Arena conquistou quatro cadeiras na Câmara, contra três do MDB, obtendo também a maior votação na soma das legendas: 1.250 votos contra 1.002.

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