Os primeiros clubes e sociedades de Navegantes

A Jazz Band "Os Foliões", fundada em 1934, animou muitas tardes dançantes de Navegantes. Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

A coluna “Outros Quinhentos” conta, nesta edição, a história dos primeiros clubes e sociedades de Navegantes.

Por Rogério Pinheiro

Clube 1º de Janeiro, Sociedade Recreativa Almirante Tamandaré, Clube Vera Cruz, Sociedade Recreativa Sul América e Clube Ipanagé. Esses foram apenas alguns dos primeiros clubes e sociedades que entretinham os moradores de Navegantes na primeira metade do século XX. As agremiações realizavam eventos festivos e grandes bailes que atraíam moradores não só de Navegantes, mas também de cidades vizinhas.

Antes da criação das primeiras associações, parte da população de Navegantes atravessava o rio Itajaí-Açu em busca de diversão em Itajaí. Sem sede própria, os encontros da Sociedade Germânia aconteciam nas salas dos hotéis da cidade. Fundada em 1876, a Sociedade Germânia tinha como objetivo a manutenção das tradições culturais da colônia alemã radicada na região.

Ainda no século XIX, surgiram duas sociedades que atraíam muitos moradores de Navegantes, Estrela do Oriente, fundada no dia 7 de março de 1897, com destaque para alguns navegantinos em seu quadro social; e, no dia 23 de março do mesmo ano, a Sociedade Carnavalesca Guarani, que se tornou rival da Estrela do Oriente. Fundada em 1920, a Sociedade Cultural e Assistencial Tiradentes também atraía os moradores de Navegantes.

Sociedade Recreativa Almirante Tamandaré surgiu em 1932 e se tornou rival da Sociedade Sul América nos anos 40. Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

Quem não frequentava as sociedades de Itajaí buscava diversão nos bailes realizados em casas particulares, geralmente aos domingos, que ficaram conhecidos como “domingueiras”. Segundo a pesquisadora e professora Didymea Lazzaris de Oliveira, os bailes aconteciam em uma velha casa de madeira, de propriedade do senhor Venâncio, e também contava com a frequência de jovens de Itajaí.

1º de Janeiro

O Clube 1º de Janeiro é considerado o primeiro clube de dança de Navegantes. No entanto, por ser frequentado apenas por sócios mais abastados, grande parte da população não tinha acesso ao local. O clube foi fundado por Adolfinho Müller, Manoel Gaya Neto, Antônio Vicente dos Passos, Francisco de Paula Seára, João Gaya, Honorato Vicente Coelho, Fortunato Medeiros, Francisco Manoel Couto, Valdemar Vieira, Ewaldo Reiser, Annibal Gaya, Leonel Seará, Bernardino Maia, Athanásio Rodrigues, Antônio Maia, Manoel e Francisco Vieira. Manoel Vieira, conhecido como Biena, foi o grande incentivador dos eventos sociais em Navegantes, conforme registrado no livro “O Navegantes que eu conto”, da professora Didymea.

Além dos encontros de dança, o Clube 1º de Janeiro também realizava jogos de bolão, uma variação do boliche atual. Em vez de dez pinos, como no boliche americano, o bolão contava com nove, e sua bola de madeira era menor e sem buracos para os dedos. Entre os principais jogadores que disputavam campeonatos em Navegantes estavam Pedrinho Adolfo, José Firmino e Manoel Adriano (Biele).

Durante sua existência, o Clube 1º de Janeiro foi sede do Lyceu Navegantes, considerada a primeira escola particular da cidade, em 1908. Em 1922, o local também abrigou provisoriamente a Colônia de Pescadores. Um dos últimos registros do clube data de outubro de 1949, quando Hilda Maia foi aclamada Rainha da Primavera do Clube 1º de Janeiro.

Almirante Tamandaré

Quase na mesma época em que surgiu o 1º de Janeiro, também foi criada a Sociedade Ipanagé, que contava com um grupo bastante animado, especialmente durante o carnaval. O único registro dessa sociedade aparece no jornal “O Pharol”, de 13 de fevereiro de 1932.

Ainda em 1932, no mês de maio, foi fundada a Sociedade Recreativa Almirante Tamandaré, originada de um time de futebol cujas cores eram vermelho, preto e branco. A história da sociedade começou na residência do senhor Venâncio Bernardes. No final da década de 1930, alguns sócios adquiriram um terreno no centro de Navegantes, onde foi construída sua sede.

 Em 1909, o Clube 1º de Janeiro cedeu seu espaço para o Lyceu Infantil.  Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

Manoel Vieira, o Biena, foi seu primeiro presidente, tendo entre os fundadores Leonel Seára, Francisco José Estevão, José Cândido e Manoel Couto. A Sociedade Recreativa Almirante Tamandaré ficou conhecida pelos bailes de carnaval que organizava. Os concursos para escolha da rainha e do Rei Momo eram bastante disputados e atraíam grande público. Não há registro de quando a sociedade, também conhecida apenas como Tamandaré, encerrou suas atividades.

Sociedade Sul América

Também no mês de maio, mas em 1934, surgiu a Sociedade Sul América. Nas décadas de 1930 e 1940, ela e o Tamandaré tornaram-se rivais, com bailes de carnaval bastante concorridos. Assim como o Tamandaré, o Sul América teve origem em um time de futebol. Sua primeira sede foi a residência do senhor Waldemar Vieira, onde eram realizadas tardes dançantes.

As cores da equipe, vermelho, verde e branco, também foram adotadas pela sociedade. Entre seus fundadores estavam Juvenal Constâncio Pedro Mafra, Francisco Manoel Couto, Frederico Medeiros, Roberto Reiser, Valdemar Cordeiro, Antônio Vicente dos Passos e Ewaldo Reiser.

Frederico Medeiros (rei Momo) e Lucy Maia (rainha do Carnaval) de 1949. Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí

O carnaval era o grande destaque do Sul América, especialmente com o baile de gala “Cor de Rosa”, realizado nos anos 1940. Segundo Didymea Lazzaris de Oliveira, o evento era organizado por Ana Couto, a Aninha, e contava com a animação da Jazz Band itajaiense “Os Foliões”. Na presidência de Sebastião Adriani, o Sul América ganhou estatuto, registrado no cartório Heusi, em Itajaí, no dia 24 de novembro de 1958.

Vera Cruz

Além do Centro, o bairro São Pedro, o Pontal, também ganhou um clube para que seus moradores pudessem se divertir sem depender das sociedades Almirante Tamandaré e Sul América, que não recebiam muito bem os moradores da localidade. Fundado por João Martins dos Santos, conhecido como João Carolino, o Clube Vera Cruz era frequentado por famílias de pescadores. O salão onde funcionava o Vera Cruz também era utilizado como escola para os filhos dos pescadores, mantida por uma cooperativa.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Conteúdo protegido!