Decisão da Marinha reduz profundidade operacional em 30 cm por atraso em dados técnicos; Portonave e Porto de Itajaí projetam queda de 10% na movimentação de cargas.
A logística portuária de Navegantes e Itajaí sofreu um revés nesta semana. A Marinha do Brasil determinou a redução de 30 centímetros na navegabilidade do canal de acesso aos portos locais. A medida, motivada por questões de segurança técnica, deve forçar navios de grande porte a operarem com menos carga, gerando um impacto direto na economia regional.
O motivo da restrição
A decisão da autoridade marítima decorre do atraso no envio do novo levantamento batimétrico — estudo que mede a profundidade real do leito do rio. O envio desses dados é essencial para garantir a segurança das manobras.
O superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes, admitiu o atraso, justificando que a demora ocorreu devido à necessidade de uma análise mais profunda sobre a “lama fluída” presente no canal. Embora o porto afirme que o canal está “totalmente navegável”, a Marinha mantém a restrição até que os novos dados sejam totalmente validados.
Impacto no bolso e nas operações
Para quem atua no setor, a conta é alta. Especialistas e empresas que operam no Complexo Portuário estimam que:
- Haverá uma redução de cerca de 10% na movimentação de contêineres por navio.
- Cada embarcação deve deixar de carregar, em média, 220 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).
- Em um mês, essa perda pode equivaler ao carregamento total de um navio de grande porte (até 10 mil TEUs) em apenas um dos terminais.
Ações para normalização
Para reverter o cenário e evitar prejuízos maiores, o Porto de Itajaí acionou a empresa Van Oord, responsável pela dragagem de manutenção, para que envie uma draga do tipo hopper (sucção) em um prazo máximo de 48 horas. O objetivo é remover o excesso de sedimentos e garantir o retorno da profundidade anterior o mais rápido possível.
Atualmente, a gestão do Porto de Itajaí está sob responsabilidade da Codeba (Companhia Docas da Bahia), enquanto o projeto de concessão definitiva do canal de acesso aguarda análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
