O nautimodelismo em Navegantes ganha destaque com a criação de réplicas fiéis do navio Pallas, cujos destroços estão no fundo do rio; próximo projeto será o histórico navio Panagio.
Enquanto técnicos e pesquisadores se mobilizam em torno dos estudos para a retirada do navio Pallas do fundo do Rio Itajaí-Açu, o artista e pesquisador navegantino Aldemir José dos Santos já conseguiu trazer a histórica embarcação de volta à superfície — pelo menos em escala reduzida. Utilizando as plantas originais do vapor inglês, Aldemir construiu quatro réplicas minuciosas que se tornaram fundamentais para quem deseja visualizar o gigante que repousa no leito do rio.
O trabalho de resgate visual impressiona pelo rigor técnico. Ao todo, o modelista produziu quatro peças da embarcação que naufragou no início do século XX: duas de 40 centímetros, uma de 42 centímetros e uma versão maior, com 65 centímetros de comprimento. As obras surgem em um momento em que a remoção da estrutura do canal da barra volta a ser amplamente debatida na região.
Rigor técnico: apenas através de plantas originais
O grande diferencial do trabalho de Aldemir está na fidelidade absoluta à engenharia naval. O pesquisador possui uma diretriz clara em seu processo de criação: ele não desenvolve maquetes baseadas em fotografias, mas sim a partir das plantas técnicas oficiais de cada embarcação.

Esse método rigoroso será aplicado em seu próximo e ambicioso projeto. Aldemir revelou que já planeja a construção da réplica do Panagio, o primeiro navio a atracar historicamente em Navegantes. A obra promete ser mais um marco para o resgate da identidade e da memória do município.
Reconhecimento internacional e exposição
A precisão aplicada no desenvolvimento das réplicas reflete uma trajetória dedicada à arte naval que começou cedo, quando Aldemir tinha apenas 8 anos de idade. Hoje, seu conhecimento prático e histórico o posiciona como um dos grandes nomes do setor no país.
De acordo com o construtor, a qualidade de suas maquetes foi chancelada pela Associação Brasileira de Nautimodelismo (Abrane), sediada em Santos (SP). A entidade comparou o refinamento e o acabamento de suas peças aos melhores padrões de modelismo produzidos na Europa e nos Estados Unidos, colocando a produção artesanal de Navegantes em patamar internacional.
Grande parte desse patrimônio em miniatura e outras criações que contam a história da navegação local podem ser conferidas de perto pela comunidade. Aldemir mantém muitos de seus trabalhos em exposição no Centro Integrado de Cultura (CIC) de Navegantes, deixando o espaço de portas abertas para quem deseja entender melhor o passado naval da região.
