Navio que deu nome à antiga “Prainha do Pallas” poderá ser removido após mais de 130 anos no fundo do rio

Estudo para retirada do navio naufragado Pallas reacende memórias de um local que fez parte da história de Navegantes.

Durante décadas, um pequeno recanto de águas tranquilas formado junto aos Molhes do Pontal era bastante frequentado por moradores de Navegantes. O local ficou conhecido como “Prainha do Pallas” — mesmo entre pessoas que desconheciam a origem do nome — numa referência ao navio naufragado na foz do rio Itajaí-Açu.

Agora, mais de 130 anos após o naufrágio que marcou a história da região, o Pallas volta ao centro das atenções. A Superintendência do Porto de Itajaí anunciou que será assinado, na próxima segunda-feira (25), durante evento na Marina Itajaí, o contrato para elaboração do estudo técnico de remoção da embarcação submersa desde 1893.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a retirada da embarcação faz parte do plano de modernização do complexo portuário e pode ampliar a capacidade operacional do canal de acesso.

“O Pallas está há mais de um século no fundo do canal de acesso. Nós vamos iniciar a remoção dessa embarcação. E essa remoção vai nos permitir ter as portas do complexo do Porto de Itajaí abertas a embarcações de maior porte”, afirmou.

A história do navio Pallas

Construído em 1891, na Inglaterra, o Pallas era um navio a vapor frigorífico utilizado no transporte de carnes e cargas entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro. Há registros de que também fazia escalas em Itajaí para operações ligadas ao carvão.

A embarcação ganhou relevância histórica durante a Revolta da Armada, movimento liderado por setores da Marinha contra o governo de Floriano Peixoto, em 1893. Apesar da ligação com o episódio, pesquisadores apontam que o navio não participou de combates, sendo utilizado principalmente no transporte de cargas e abastecimento.

Naufrágio do Pallas na foz do rio Itajaí-Açu, em 1893, nunca foi explicado e uma das hipóteses é que a colisão nas pedras foi proposital
Naufrágio do Pallas na foz do rio Itajaí-Açu, em 1893, nunca foi explicado e uma das hipóteses é que a colisão nas pedras foi proposital

O naufrágio ocorreu em 25 de outubro de 1893, na região da barra do Porto de Itajaí, próximo à praia de Navegantes — numa época em que o molhe norte ainda não existia. Com o passar dos anos, o casco acabou encoberto e praticamente esquecido, permanecendo submerso até ser redescoberto em 2017, durante obras de dragagem para aprofundamento do canal portuário.

Na ocasião, a draga chinesa responsável pelos trabalhos atingiu a estrutura submersa, provocando a interrupção momentânea das operações e dando início a uma extensa investigação histórica e técnica.

Pesquisadores e mergulhadores passaram então a analisar documentos da Marinha do Brasil, registros do Lloyd’s Register e materiais do Museu Histórico de Itajaí para identificar a embarcação. Estudos posteriores concluíram que o navio tinha cerca de 67 metros de comprimento e estaria partido ao meio no fundo do rio, com as duas partes separadas por aproximadamente 40 metros.

A remoção do casco é considerada complexa. Segundo informações da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o local apresenta baixa visibilidade, fundo lamoso, água contaminada, fortes correntes e intenso tráfego de embarcações de grande porte.

Além dos desafios técnicos, o processo também dependeu de aprovações de diferentes órgãos públicos. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) emitiu termo de referência para garantir o acompanhamento arqueológico devido à importância histórica do naufrágio.

A expectativa é que os estudos apontem a forma mais segura de retirada da embarcação, conciliando a preservação histórica do Pallas com as necessidades operacionais do complexo portuário.

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