De cidade pesqueira a polo econômico: Navegantes amplia sua força em logística, indústria e serviços

Aos 64 anos de emancipação, o município consolidou uma posição estratégica na economia catarinense

A história econômica de Navegantes passa por uma transformação que pode ser percebida nos números, na chegada de novos investimentos e no perfil das oportunidades de trabalho. Aos 64 anos de emancipação, o município consolidou uma posição estratégica na economia catarinense, impulsionado principalmente pela atividade portuária, construção civil, comércio, serviços e indústria naval.

O movimento acompanha o crescimento populacional e urbano da cidade e amplia o peso de Navegantes na economia estadual. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Receita, Willian José de Souza, o município vive uma fase de consolidação econômica, com uma matriz mais diversificada do que aquela historicamente ligada à pesca.

Um dos principais indicadores dessa mudança é o Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o dado mais recente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Navegantes alcançou aproximadamente R$ 7,9 bilhões em 2023, colocando-se como a 15ª maior economia de Santa Catarina. Em 2020, o PIB era de R$ 4,9 bilhões. Em três anos, portanto, o crescimento foi de aproximadamente 60%.

O PIB per capita chegou a R$ 91.893,31, acima da média catarinense, de cerca de R$ 67,5 mil. Análises da Secretaria de Estado do Planejamento também apontam que Navegantes está entre os municípios catarinenses que mais ampliaram sua participação relativa na economia estadual nas últimas duas décadas.

Porto como indutor de negócios

A localização geográfica é um dos principais fatores por trás desse avanço. Navegantes reúne, em seu território, o complexo portuário, o Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder, acesso à BR-470 e proximidade com a BR-101, além de áreas disponíveis para expansão industrial e logística.

O terminal Portonave, em Navegantes: atividade portuária e logística consolidam-se como o principal motor do PIB e da geração de empregos na economia municipal.

A atividade portuária passou a movimentar uma extensa cadeia de empresas ligadas ao transporte, armazenagem, comércio e prestação de serviços. Segundo dados citados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Receita, as operações da Portonave respondem por aproximadamente 40% da arrecadação municipal de ISSQN.

A construção civil também acompanha o processo de expansão urbana, enquanto o comércio e os serviços se fortalecem com a chegada de novos moradores, empresas e investimentos.

Outro segmento que desponta como estratégico é a indústria naval. O investimento anunciado pelo Estaleiro Navship, de R$ 2,2 bilhões para a construção de seis embarcações offshore, projeta a geração de mais de 1,2 mil empregos diretos e amplia a presença de Navegantes na indústria de maior valor agregado.

Para Willian, a diversificação é importante para que o crescimento não fique concentrado em uma única atividade. A arrecadação municipal, segundo ele, está atualmente ancorada principalmente nos serviços, na cadeia logística, no mercado imobiliário e no comércio.

Mais receitas, mais investimentos

O crescimento da atividade econômica também aparece nas contas municipais. A Lei Orçamentária Anual (LOA) previa inicialmente R$ 722 milhões em receitas totais para 2025. Ao final do período, o montante acumulado das receitas correntes e de capital ultrapassou R$ 877,5 milhões.

Para 2026, o orçamento municipal aprovado é de R$ 869,5 milhões. Desse total, R$ 73,5 milhões estão destinados especificamente a obras de infraestrutura e mobilidade urbana.

Entre os investimentos considerados importantes para sustentar a expansão estão obras de mobilidade, drenagem e macrodrenagem, saneamento básico e melhoria dos acessos viários. A lógica é que a infraestrutura acompanhe a expansão econômica e ofereça condições para a instalação e o funcionamento de novas empresas.

O Plano Plurianual 2026-2029 prevê ainda mais de R$ 2 bilhões em investimentos públicos ao longo do período, contemplando áreas como infraestrutura urbana, saneamento, educação e saúde.

Mercado de trabalho aquecido

O crescimento econômico também se reflete no mercado de trabalho. Em dezembro de 2025, o portal Navega Mais Empregos chegou a manter mais de mil vagas abertas simultaneamente.

Comércio, serviços, construção civil, logística e as cadeias portuária e naval estão entre os setores que mais oferecem oportunidades. O desafio, segundo o secretário, deixou de ser apenas a existência de vagas e passou a envolver a formação de trabalhadores para atender às exigências das empresas.

A indústria naval voltou a recrutar grande número de profissionais em Navegantes. Foto: Jornal nos Bairros

Há demanda por profissionais de operações logísticas, construção civil, manutenção mecânica e elétrica, engenharia, operação de máquinas pesadas, indústria naval e gestão.

Uma das iniciativas para aproximar trabalhadores e empresas são os feirões de emprego. Em 2025, a terceira edição reuniu mais de 1,2 mil trabalhadores e disponibilizou 777 vagas imediatas.

O município também trouxe a Escola Móvel do SENAI em 2025 e novamente em 2026, com cursos voltados às áreas de gestão, construção civil, soldagem e planejamento e controle da produção.

Novos negócios e investimentos

O ambiente empresarial acompanha esse movimento. Somente em fevereiro de 2026, projetos privados analisados pelo Conselho da Cidade representaram R$ 127 milhões em novos empreendimentos.

A atração de investimentos, segundo o secretário, está baseada em três frentes: facilitar a instalação de empresas, estruturar a cidade para receber novos negócios e promover os diferenciais de Navegantes.

A redução da burocracia, a agilidade nos processos de licenciamento e a segurança jurídica fazem parte da primeira frente. Na infraestrutura, estão os investimentos em mobilidade, pavimentação, água e saneamento. Já a promoção envolve a apresentação das características de Navegantes ao mercado nacional e internacional.

O município também trabalha na consolidação do ecossistema de inovação NAVEIN, buscando ampliar a diversificação econômica e estimular atividades ligadas à tecnologia.

O próximo desafio: qualificar pessoas

Se a localização foi um dos fatores que ajudaram a transformar Navegantes em um polo logístico, o capital humano é apontado como um dos principais desafios para a próxima etapa.

A expectativa é que logística integrada, armazenagem, indústria naval, construção civil, tecnologia e serviços relacionados aos setores portuário e aeroportuário continuem entre as atividades com maior potencial de expansão.

A meta, segundo Willian, é fazer com que empresas que atualmente utilizam Navegantes principalmente como ponto de passagem também passem a produzir, agregar valor e gerar riqueza no município.

Para os próximos cinco anos, a perspectiva apresentada pelo Desenvolvimento Econômico é consolidar Navegantes como um dos principais polos logísticos, industriais e de serviços da Região Sul. Nesse cenário, o desafio não está apenas em atrair novos empreendimentos, mas em garantir que o crescimento econômico resulte em melhores oportunidades de trabalho, aumento da renda e qualidade de vida para quem vive na cidade.

Aos 64 anos, Navegantes chega a uma nova etapa de sua história econômica: uma cidade que mantém suas raízes, mas que passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante na economia de Santa Catarina.

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