Setembro costuma chegar acompanhado pelo som característico dos tambores, pela afinação das fanfarras e pelas cores do pavilhão nacional tomando as ruas do Brasil. A celebração do 7 de Setembro é, historicamente, um momento de reafirmação da cidadania, em que famílias se reúnem nas calçadas para prestigiar estudantes, entidades e forças de segurança. No entanto, em 2026, Navegantes viveu um incômodo contraste em relação aos municípios vizinhos: enquanto as cidades da Região da Foz do Rio Itajaí mantiveram a tradição e celebraram a Independência, as ruas navegantinas permaneceram em silêncio.
Navegantes figurou como uma das únicas cidades da região a não realizar o tradicional desfile cívico. A ausência do ato não apenas isolou o município no mapa das celebrações regionais, mas também deixou um vácuo no sentimento comunitário e no incentivo ao civismo para as futuras gerações. Como rara exceção, a E.E.B. Adelaide Konder manteve viva a chama da data, promovendo ao menos um ato interno — este ano restrito às dependências da escola devido às más condições climáticas.
A celebração da Pátria, contudo, é um orgulho antigo no município, enraizado antes mesmo da sua emancipação. Em sua obra Navegadores do Rio e do Mar, a professora Didymea Lazzaris de Oliveira — diretora da E.E.B. Profa. Julia Miranda de Souza entre 1953 e 1964 — resgata a imponência dos desfiles de antigamente. Na época, a direção e o corpo docente ostentavam elegantes uniformes de gala em azul-marinho, exigência da Secretaria de Educação para as grandes datas nacionais, simbolizando o respeito e o rigor com que a comunidade tratava o momento. A chama do civismo seguiu acesa no seu sucessor, o professor Francisco José Baron, que manteve vivo o compromisso com as tradições e o respeito às datas nacionais.

O cancelamento ou a falta de organização do 7 de Setembro ganha contornos ainda mais preocupantes quando observado o contexto local recente. Há poucas semanas, no dia 26 de agosto, a cidade celebrou seu aniversário de emancipação político-administrativa sem o tradicional Desfile da Educação, espetáculo pedagógico e cultural que historicamente mobiliza escolas municipais, estaduais e particulares.
Essa sequência de ausências acende um alerta sobre o enfraquecimento da nossa identidade cultural. O desfile cívico e escolar vai muito além de uma caminhada formal: é o coroamento de semanas de ensaios, projetos em sala de aula e dedicação de educadores, alunos e famílias. Cultivar a memória e o pertencimento exige vivência prática, e deixar que datas tão emblemáticas se apaguem do calendário oficial empobrece a história de um povo trabalhador e orgulhoso de suas raízes. Fica o apelo para que o silêncio deste ano seja apenas uma exceção e que o civismo volte a ocupar o lugar de destaque que merece nas avenidas de Navegantes.
