Tribunal do Júri condenou filho da vítima e cunhado dele pela morte de Susimara Gonçalves de Souza e Pedro Ramiro de Souza, na noite de 23 de novembro de 2024
Após um julgamento que se estendeu por 13 horas, o Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí condenou, na noite desta quinta-feira (2), o filho de uma das vítimas e o cunhado dele pelos assassinatos de um casal de empresários locais. O crime, ocorrido em novembro de 2024, chocou a região pelo planejamento e pela motivação patrimonial.
O filho de Susimara Gonçalves de Souza, 25 anos, recebeu a pena de 61 anos e 10 meses de prisão. Já o seu cunhado, 20 anos, foi condenado a 44 anos e 4 meses de reclusão, além de 6 meses de detenção e 20 dias-multa. Ambos iniciarão o cumprimento das penas em regime fechado e tiveram o direito de recorrer em liberdade negado pela Justiça.
O Crime e a Motivação
As vítimas, Susimara Gonçalves de Souza e Pedro Ramiro de Souza, eram figuras conhecidas no município e proprietárias da loja Mil Artes Decoração, localizada no bairro Cordeiros.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), os crimes aconteceram na noite de 23 de novembro de 2024. O filho de Susimara e enteado de Pedro Ramiro planejou a ação motivado pela herança familiar. Ele contou com a ajuda do cunhado, a quem prometeu o pagamento de aproximadamente R$ 10 mil para participar da execução.
A dupla invadiu a residência do casal por volta das 22h20 e permaneceu escondida por mais de duas horas aguardando as vítimas. Susimara e Pedro foram mortos por asfixia logo após chegarem ao imóvel. Para tentar despistar as investigações, os réus roubaram celulares e alianças, alterando a cena do crime para simular um assalto (latrocínio).
Detalhes do Julgamento
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese da acusação apresentada pelo MPSC. Cada réu teve a conduta analisada individualmente e ambos foram condenados por:
- Homicídio qualificado;
- Feminicídio majorado;
- Fraude processual.
A acusação em plenário foi conduzida pela Promotora de Justiça Marina Tambeira (2ª Promotoria de Justiça de Itajaí) e pelo Promotor de Justiça Fabrício Nunes (Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri – GEJURI). Durante a sessão, foram ouvidas quatro testemunhas, seguidas pelos interrogatórios dos réus e debates entre defesa e acusação.
“O papel do Ministério Público é buscar justiça com base nas provas produzidas ao longo de todo o processo, garantindo a responsabilização dos envolvidos dentro dos limites da lei”, declarou a promotora Marina Tambeira, apontando que a sentença traz uma resposta institucional à gravidade do caso.
O promotor Fabrício Nunes reforçou a robustez do conjunto de provas apresentado aos jurados, o que sustentou a gravidade das penas aplicadas. Os dois condenados, que já cumpriam prisão preventiva durante a tramitação do processo, retornaram ao estabelecimento prisional para o início imediato do cumprimento das sentenças.
