FOTO: Jogo entre Marcílio e Lauro Müller na década de 1950, dois adversários do Cobrasil. Crédito: CDMH/Arquivo Público de Itajaí
A prática do futebol em Navegantes é centenária. Muitos times foram criados e, com o tempo, desapareceram do cenário esportivo do município. Um desses times foi o Cobrasil Futebol Clube, que, entre 1941 e 1942, ganhou destaque no Vale do Itajaí e chegou a conquistar um título regional.
A coluna “Outros Quinhentos” resgata a trajetória de um dos primeiros clubes de futebol de Navegantes, o Cobrasil.
O Cobrasil Futebol Clube foi fundado em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, por funcionários da Cobrasil, empresa responsável pela construção dos molhes de Itajaí e Navegantes. Em junho do mesmo ano, o clube filiou-se à Federação Catarinense de Desportos, hoje Federação Catarinense de Futebol.
Fizeram parte da primeira diretoria Antônio Alves Moura (presidente), Felipe B. Alencastro (vice-presidente), Francisco M. Vieira (1º secretário), Carlos Hesser (2º secretário), Laércio Santangelo (1º tesoureiro), Osvaldo V. Brito (2º tesoureiro), Henrique Krieger (diretor esportivo), José Ribamar Macedo (procurador) e Emir Cardoso (orador).
Após alguns jogos amistosos em 1941, o Cobrasil disputou o Campeonato da Associação Sportiva Vale do Itajaí (ASVI), torneio que também contava com equipes de Blumenau e Brusque. Uma das partidas mais marcantes da curta história do clube navegantino foi contra o Marcílio Dias, no dia 14 de junho de 1942, no Estádio Dr. Haroldo Cintra, em Navegantes. O registro do jogo foi publicado no Jornal do Povo em 21 de junho de 1942.
“O jogo de domingo passado no belo estádio Dr. Haroldo Cintra, em Navegantes, entre as respeitáveis equipes Cobrasil e Marcílio Dias, em disputa pelo Campeonato da ASVI, atraiu um público numeroso, que saiu satisfeito com o desenrolar da partida.

Se não fosse o pequeno incidente provocado por Horácio Júlio Silva e José Maria, ambos do esquadrão do Cobrasil, que deram demonstração de indisciplina ao não acatarem a decisão do juiz, a pugna teria alcançado um brilhantismo invulgar.
Contudo, a grande assistência não se arrependeu de atravessar o rio Itajaí-Açu para assistir ao grandioso embate. A partida teve momentos de grande emoção, especialmente quando o placar, após estar favorável ao Cobrasil por 3 a 1, chegou ao empate de 3 a 3 no início do segundo tempo.
Parecia que o pânico havia se apoderado de todos, a ponto de os marcilistas marcarem consecutivamente, em 45 minutos, cinco tentos. Essa situação contribuiu para que dois jogadores do Cobrasil se insubordinassem em campo, desrespeitando o juiz, o que resultou em suas expulsões, justamente quando a vitória parecia segura para o rubro-azul, que venceu pela expressiva contagem de 5 a 3.
Foram autores dos tentos da tarde: Mazinho (2), Lilito (1), Lila (1) e Eicke (1), pelo Marcílio Dias; Marreco (1), José Fagundes (1) e Zico (1), este de pênalti, pelo Cobrasil F. C.”
Ascensão e queda
Apesar da derrota, o Cobrasil se recuperou e conquistou seu primeiro título ainda em 1942, com direito a uma goleada de 6 a 2 sobre o próprio Marcílio Dias. O Jornal do Povo de 23 de agosto daquele ano deu destaque à conquista.
“Numerosa foi a assistência que compareceu ao campo do C. N. Marcílio Dias no último domingo para assistir ao Torneio Início do Campeonato da Cidade, promovido pelos quatro clubes locais vinculados à ASVI. De fato, quem lá esteve não apenas presenciou uma grande tarde esportiva, favorecida por um belo dia de sol, como também teve a oportunidade de assistir a duas sensacionais partidas entre os tradicionais rivais Lauro Müller e Marcílio Dias, além de CIP e Cobrasil.
Quanto à terceira partida, entre Marcílio e Cobrasil, respectivamente vencedores dos jogos anteriores, o cansaço do primeiro, que havia disputado um confronto pesado, somado a falhas da arbitragem, resultou em um desfecho lamentável, do qual deixamos de fazer comentários.
O primeiro jogo, entre CIP e Cobrasil, foi vencido pela equipe de Navegantes por 3 a 2. O clássico local entre Marcílio Dias e Lauro Müller terminou com vitória do primeiro, também por 3 a 2. Na partida final, o Cobrasil venceu o Marcílio Dias por seis tentos a dois, sendo dois gols marcados em circunstâncias incomuns: um contra, por um jogador do Marcílio, e outro quando o rubro-azul atuava com apenas oito jogadores em campo.”

O Cobrasil continuou surpreendendo. Em 13 de junho de 1943, o Jornal do Povo destacou a goleada aplicada pela equipe de Navegantes sobre o Brusquense por 6 a 1. Bicampeão do Torneio da ASVI, o Brusquense era considerado uma das equipes mais fortes da década de 1940 em Santa Catarina.
“Domingo último, defrontaram-se Brusquense e Cobrasil, na primeira rodada do Campeonato da ASVI. Ninguém poderia prever que o esquadrão de Navegantes infligiria ao seu adversário, cercado de grande prestígio, uma derrota de 6 a 1. Mas, para surpresa geral, foi o que ocorreu. Dario Silva apitou a partida com imparcialidade e boa intenção, sendo rigoroso ao marcar um pênalti contra o Cobrasil e justo em outra decisão semelhante.”
Com a paralisação das obras no molhe de Navegantes, a Cobrasil decidiu encerrar também as atividades de seu time de futebol. O Jornal do Povo de 25 de julho de 1943 registrou o fim do Cobrasil F. C.
“Conforme a tabela do Campeonato da ASVI, deveriam se enfrentar hoje, no Estádio Irineu Bornhausen, as equipes do Lauro Müller e do Cobrasil. No entanto, a partida não será realizada. Em reunião realizada na última sexta-feira, a diretoria do Cobrasil, apoiada pela maioria dos sócios, decidiu dissolver a associação, em razão da paralisação dos serviços da Companhia Cobrasil em nosso porto.
Surge, assim, um impasse na ASVI. A tabela do campeonato terá de ser revista e provavelmente sofrerá alterações significativas. Para tanto, o Conselho Deliberativo reunir-se-á na próxima quarta-feira para deliberar sobre o assunto. A ausência do Cobrasil no campeonato é bastante sentida.”
