A representatividade que Navegantes ainda busca

ALESC

A entrevista concedida pelo prefeito Liba Fronza ao Jornal nos Bairros traz à tona um tema recorrente na história política de Navegantes: a falta de representatividade do município no Parlamento catarinense.

Ao anunciar que deixará a prefeitura dentro do prazo legal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Liba afirma que a decisão não se trata de um projeto individual, mas de um passo maior em favor da cidade. O argumento central é claro: um município que cresce em população, economia e relevância regional precisa também ampliar sua presença nos espaços de decisão política.

A discussão não é nova. Apesar de sua importância estratégica — com aeroporto internacional, porto, forte setor logístico e crescimento populacional acelerado — Navegantes nunca elegeu um deputado estadual. Ao longo das décadas, lideranças locais tentaram romper essa barreira, mas sem sucesso nas urnas.

O caso que mais se aproximou de uma representação direta foi o de Adherbal Ramos Cabral, o Deba, que chegou a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa como suplente pelo PMDB. Ainda assim, tratou-se de uma passagem circunstancial, e não de um mandato conquistado diretamente pelo voto popular a partir de uma base política local consolidada.

Essa ausência histórica de representantes próprios levanta uma reflexão importante. Municípios que conseguem eleger deputados estaduais ou federais costumam ampliar sua capacidade de articulação política, influenciar decisões e defender projetos de interesse regional com mais força.

Navegantes vive hoje um momento diferente daquele de décadas atrás. A cidade deixou de ser vista apenas como um território à margem de Itajaí para assumir um papel cada vez mais relevante no litoral norte catarinense. Cresce em população, em arrecadação e em protagonismo econômico.

Nesse contexto, a discussão sobre representatividade ganha peso. Ter um deputado estadual ligado diretamente à cidade pode significar maior capacidade de articulação em temas estruturais que impactam o desenvolvimento regional — como os gargalos logísticos da BR-101 e da BR-470, investimentos em infraestrutura, saúde, educação e mobilidade.

A dificuldade de Navegantes eleger um deputado estadual também está ligada a um fator histórico da política regional. Na área da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), os votos costumam se concentrar em cidades com maior densidade eleitoral, como Itajaí e Balneário Camboriú. Além disso, a fragmentação de candidaturas na região muitas vezes divide o eleitorado entre vários nomes, o que acaba enfraquecendo municípios menores na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Nesse cenário, mesmo cidades em crescimento acabam enfrentando obstáculos para transformar seu peso econômico em força política nas urnas.

Naturalmente, a decisão final cabe ao eleitor. As urnas definirão se Navegantes está pronta para dar esse passo ou se a cidade seguirá, por mais um ciclo eleitoral, sem representação própria no Legislativo estadual.


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