
ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES
Acadêmica: Professora Vilma Marli Rebello Mafra, cadeira 14
Gostaria de abraçar-te e, ao contemplar tua figura tão querida, prestar-te esta singela homenagem. É a minha maneira de expressar gratidão, carinho e reconhecimento por tudo o que representas.
Na busca incessante pelo ideal de tua profissão, revestiste tua personalidade de inúmeras facetas, todas elas aproximando-te, cada vez mais, da essência de tua vocação: SER MESTRE!
E, para tanto, fizeste-te operário, quando, obediente ao dever, cumpres tua jornada e produzes o conhecimento que há de transformar a sociedade, uma sociedade que, tantas vezes, te retribui com uma remuneração precária, muito aquém do valor de tua contribuição.
Fizeste-te intelectual, submetido a uma intensa e permanente atividade mental. Exigem que te atualizes, que leias montanhas de livros, que domines técnicas e métodos, quase sempre importados e, não raro, distantes das realidades de nosso país. E, por vezes, inescrupulosamente, utilizam tua boa-fé e tua habilidade para que dissemines ideologias que não são tuas, nas quais nem sequer acreditas, mas que, sutilmente, tentam impor-te, confundindo teus ideais e obscurecendo tua consciência crítica.
E, como se tudo isso não bastasse, fizeste-te ator. Sob a máscara de um constante bom humor, sobes ao palco de tua sala de aula e, diante da plateia de teus alunos, interpretas o papel de quem está sempre alegre, mesmo quando a alma se encontra cansada e o coração carrega suas próprias dores. Sorris, acolhes, encorajas e segues em frente, escondendo, tantas vezes, as lágrimas que poderiam borrar as cores da alegria que te esforças por pintar no mundo de teus alunos.
Mas, acima de todas essas facetas, há uma que te define e te engrandece: a de apóstolo do amor!
Sim, é preciso que reconheças: foste escolhido por uma vocação que transcende o ofício e alcança a dimensão do compromisso humano. Ser mestre é acreditar no outro, mesmo quando ele próprio ainda não acredita em si. É semear conhecimentos, despertar consciências, alimentar esperanças e compreender que educar é, antes de tudo, um ato de amor, coragem e resistência.
Neste mês de outubro, quero deixar minha homenagem aos amigos e mestres que me antecederam; àqueles que lutaram ao meu lado, aos que vieram depois de nós; e a todos os que continuam acreditando, apesar das dificuldades e dos desencantos, que a educação é uma das mais poderosas forças de transformação humana e social.
A vocês, mestres de ontem, de hoje e de amanhã, meu abraço fraterno, minha admiração e minha gratidão. Que nunca nos faltem coragem para resistir, sabedoria para ensinar e esperança para continuar acreditando. Porque educar é muito mais do que transmitir conhecimentos: é participar da construção de um ser humano mais consciente e de uma sociedade mais justa, solidária e democrática.
Afinal, enquanto houver um mestre disposto a ensinar e um educando disposto a aprender, haverá esperança de um Brasil melhor. A todos os mestres, minha eterna homenagem! Este texto foi escrito em 1986, para que minha filha declamasse na escola.
