Os naufrágios que marcaram a história de Navegantes    

COLUNA OUTROS QUINHENTOS

POR ROGÉRIO PINHEIRO

Os moradores de Navegantes testemunharam muitos naufrágios no passado. O primeiro e o mais famoso deles foi o paquete Pallas, em outubro de 1893. Depois dele, vieram muitos outros, infelizmente. Alguns foram mortais, como os naufrágios do barco pesqueiro Dominante e da baleeira Leonor. A coluna “Outros quinhentos” conta nesta edição os naufrágios que marcaram a história de Navegantes. 

Um dos primeiros de que se tem registro foi o do paquete Pallas. Na noite de 25 de outubro de 1893, o navio tentou entrar no Porto de Itajaí para um desembarque não previsto. Naquela noite, o tempo estava bom e as condições de navegação, ótimas. Apesar de ser um navio construído para navegar em rios, o Pallas bateu em rochas na entrada da barra do rio Itajaí, no bairro São Pedro, o Pontal. Toda a tripulação do Pallas conseguiu se salvar.

Depois do paquete Pallas, o Pontal foi cenário de mais um acidente envolvendo uma embarcação. Na tarde de 18 de junho de 1906, uma segunda-feira, o paquete Victoria encalhou na entrada da barra do rio Itajaí-Açu.

Depois de várias tentativas frustradas de desencalhar o navio, o comandante do Victoria autorizou o desembarque dos passageiros, que até aquele momento estavam revoltados com o procedimento do comandante.

As ondas diminuíram e isso facilitou a aproximação das embarcações de socorro. Eram 18 horas quando os passageiros do Victoria começaram a sair do paquete. Além da escuridão e do frio, chovia torrencialmente.

Como a correnteza do rio Itajaí-Açu ainda estava muito forte, os passageiros foram resgatados e transportados em segurança até a praia do Pontal. O salvamento foi auxiliado por rapazes que carregavam no colo os passageiros até a areia da praia. No total, foram resgatados 26 passageiros, entre eles crianças, que saíram do navio apenas com a roupa do corpo.

Por volta das 21 horas, o resgate terminou com o desembarque de toda a tripulação, que, bastante cansada, ficou na praia do Pontal, onde fez uma pequena refeição. Enquanto os passageiros foram hospedados em casas e hotéis de Itajaí, a tripulação passou a madrugada ao relento.

A baleeira Leonor

Em 1953, uma tragédia marcou a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Em fevereiro daquele ano, um barco pesqueiro colidiu com um rebocador da Cobrasil (empresa responsável pelas obras do porto e dos molhes da barra) durante a procissão no rio Itajaí-Açu. Nove pessoas, todas residentes em Canelinha, morreram no naufrágio, o pior de que se tem registro no rio Itajaí-Açu até hoje.

A procissão aconteceu no dia 2 de fevereiro de 1953, uma segunda-feira. Dezenas de barcos enfeitados com bandeirinhas participaram do cortejo pelo rio Itajaí-Açu. Entre essas embarcações estava o Leonor, uma baleeira de Navegantes. O barco pesqueiro levava 15 pessoas, 13 delas residentes no centro do Moura, uma localidade de Canelinha. Na época, Canelinha fazia parte do município de Tijucas. Igual a Navegantes, Canelinha também se emancipou em 1962, mas em dezembro.

A Marinha do Brasil foi responsável pela investigação do naufrágio. O resultado do inquérito foi encaminhado para o Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro, onde foi julgado no dia 9 de abril de 1957.

Presidido pelo almirante Raimundo de Arêa Leão, o Tribunal Marítimo condenou por unanimidade o mestre Deodato Germiniano da Silva. Para o tribunal, Silva foi responsável pela tragédia. Apesar das nove mortes provocadas pelo naufrágio, Deodato Germiniano da Silva foi condenado a pagar apenas uma multa. O relator do processo no caso foi o juiz Gérson Cruz.

Em julho de 1960, um grupo de pescadores de Navegantes saiu para o mar e não voltou. A baleeira em que estavam os pescadores saiu de Navegantes na madrugada do dia 18 de julho. Como não retornaram, as famílias ficaram preocupadas.

Estavam no barco de pesca Osmar Romão, Sebastião, Honório, Adalberto Elias Palumbo, Antônio Romão e João Emílio. Diferentemente de outros naufrágios com barcos de pesca, a história dos pescado res de Navegantes teve um final feliz. No dia 21 de julho, eles foram encontrados vivos na Ilha do Arvoredo.

A tragédia do Dominante

Infelizmente, a mesma sorte não acompanhou o barco Dominante. No dia 6 de setembro de 1977, às 2h40, o barco pesqueiro naufragou ao entrar na barra. Dos 14 pescadores a bordo, apenas dois sobreviveram: Francisco Barreto dos Santos, 29 anos, o Bahia, e Ivo Teodoro, de 25 anos, conhecido como Alemão.

Na tarde do dia 5 de setembro de 1977, uma segunda-feira nublada e fria, o Dominante deixou o trapiche de uma empresa de pesca de Itajaí em direção à Barra Velha. Apesar de o mar estar um pouco revolto, não chovia nem ventava forte.

Por volta de 1h da terça-feira, dia 6 de setembro de 1977, a tripulação se preparou para voltar para Itajaí. Além de três toneladas de gelo, a traineira levava também 1.500 quilos de sardinha.

Quando eles entravam na barra, uma onda gigante atingiu o barco. A onda atingiu o convés, que quebrou com o impacto. O barulho acordou todos os tripulantes e em questão de segundos o barco virou. Com exceção de um pescador que ficou preso no barco, todos conseguiram pular no mar. No entanto, apenas os pescadores Bahia e Alemão conseguiram nadar até a praia.

Os 12 pescadores que morreram no naufrágio foram Ademar dos Santos, 29 anos; o mestre Eustáquio Fernandes, 28 anos; Gualberto Ferreira; Nemésio dos Santos; Lauro Fonseca; Manedis Nicolau, 40 anos; Eli (José) Ramos, 27 anos; Valdir Teixeira Filho, 24 anos; Valvitor Flores, 16 anos; Ivan Borges, 18 anos; Adírson Mina, 38 anos; e um pescador não identificado.

Dos 12 pescadores mortos no naufrágio do Dominante, no dia 6 de setembro de 1977, os corpos de Ademar dos Santos e Valdir Teixeira Filho nunca foram encontrados.


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