O verão de 1988 em Navegantes

Praia do Gravatá em 1988. Crédito: Reprodução/Gazeta de Navegantes

A temporada de verão de 2026 segue a todo vapor, com muito calor e praias lotadas. Em Navegantes, a cada verão, moradores, veranistas e turistas procuram a praia para relaxar. Mas como eram os verões de antigamente no município?

A coluna “Outros quinhentos” conta a história de um desses verões, considerado até hoje um dos melhores de Navegantes, o verão de 1988. Naquele ano, o Brasil convivia com inflação alta, desemprego e intensa atividade política, marcada pela elaboração da nova Constituição brasileira.

O presidente da República era o maranhense José Sarney (PMDB). Além da inflação, greves se espalhavam pelo país. Em Navegantes, o prefeito Domingos Angelino Régis (PDS) cumpria seu último ano de mandato. A economia da cidade dependia da pesca e do turismo, especialmente durante a temporada de verão. Aqueles que não trabalhavam no setor pesqueiro precisavam atravessar para Itajaí em busca de emprego.

Navegantes ainda tinha ares de cidade pequena. Bairros como Centro, Gravatá, São Pedro, Meia Praia e Machados eram mais tranquilos, com muitas ruas de chão batido e iluminação pública limitada em algumas áreas.

As casas eram, em sua maioria, de madeira, com quintais grandes, muitas com horta e galinheiros.
Não havia internet ou celular. O rádio e a televisão eram os principais meios de comunicação utilizados pelos navegantinos. Quem possuía televisão assistia às novelas da Globo ou da Manchete. Em 1988, as videolocadoras ainda eram novidade, e a primeira da cidade surgiu naquele ano, a Stone Wall, criada por três jovens apaixonados por cinema — Zélia Áurea Müller Rossi, Saulo Müller Júnior e Maria Izabel da Silva.

Também em 1988 surgiu a Exponave, festa popular que marcou a história do município. Realizada em agosto, a festividade veio para complementar o turismo, tradicionalmente forte no verão. Naquele ano, a temporada estava entre as melhores dos últimos tempos, segundo informou a Gazeta de Navegantes, de janeiro de 1988.

“Ao contrário de muitos outros balneários da região, Navegantes vem recebendo nesta temporada grande quantidade de turistas, principalmente de São Paulo e Rio Grande do Sul, mas também de municípios catarinenses como Blumenau, Brusque, Rio do Sul e Joinville. Isto deve-se especialmente à conscientização da comunidade, notadamente comerciantes, que deixaram de explorar o turista para explorar o turismo, ou seja, sem cobrar altos preços por suas mercadorias, coisa que não acontece em outras praias, de onde os veranistas estão correndo para não gastarem demais.

A proliferação de bares, lanchonetes, trailers e restaurantes é imensa, ainda mais na avenida João Sacavem, acesso à praia. Todas as noites, mesmo em dias de semana, os restaurantes ficam lotados. Agora que se aproxima o Carnaval, muitas rodas de samba são realizadas ao ar livre; promoções esportivas ocorrem à beira-mar, atraindo não só a juventude, mas também pessoas idosas, que participam ativamente de eventos como jogos de futebol de areia e ginástica.”

O jornal também criticou a falta de um hospital em Navegantes. Na época, todo o atendimento de emergência era realizado no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.

“Na área de serviços, o que tem sido criticado é a falta de um hospital para Navegantes, além de mais hotéis, pois as acomodações são escassas. Casas para aluguel, somente para a temporada, ainda podem ser encontradas, e seus preços não têm sido exorbitantes.

Até uma central telefônica, que permanece praticamente o dia inteiro superlotada devido ao grand e número de turistas, já funciona desde o início do verão. É outro termômetro para indicar o fluxo de veranistas este ano em Navegantes, superando consideravelmente as últimas temporadas. Outra crítica, por outro lado, relaciona-se à necessidade de uma divulgação mais efetiva de Navegantes e de seu potencial, com a maior extensão de praia de todo o litoral catarinense.”

Um ponto turístico hoje muito frequentado no município foi citado pelo periódico, o Farol da Barra.

“Embora o turismo esteja especialmente voltado para a praia, o Farol da Barra não deixa de ser a grande atração para quem, nos molhes, procura descontração, pescando, fazendo piquenique ou simplesmente apreciando os navios e os botos que aparecem com frequência na região. Isso sem contar os surfistas.

O que ocorre é que as autoridades ainda não despertaram para o valor daquele ponto turístico.
Caso o local fosse submetido a uma melhoria substancial, com infraestrutura completa, faria parte de um cartão de visitas que ainda não existe em Navegantes, mas que poderia facilmente ser elaborado com um pouco de criatividade.

Só o fato de o turista poder ver de perto barcos de pesca e navios cargueiros entrando e saindo do canal de acesso aos portos já serviria para atrair mais visitantes ao município.”

Outro problema recorrente durante a temporada de verão, a falta de água, também atormentava moradores e turistas em 1988.

“A falta de água em Navegantes, como na maioria dos municípios de nossa orla marítima, já não constitui novidade. Tornou-se uma constante, um inconveniente com o qual não só a população local, mas também os turistas, começaram a se acostumar. Por mais que autoridades do setor tentem justificar a situação, alegando providências cujos resultados nunca aparecem, o problema persiste.

A própria caixa-d’água existente ao lado da Prefeitura de Navegantes, com capacidade para armazenar 350 mil litros, está desativada há cerca de um ano e meio, devido a uma peça acoplada à boia que enguiçou.

O valor do conserto, ao que parece, era suficiente para sacolejar os cofres da Companhia de Água e Saneamento — Casan. Afinal, mesmo após a troca de administração, o problema da falta de água no município continuou…”

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