Entre o poder e a esperança: como sobreviver a 2026

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES

ACADÊMICA: PROFESSORA VILMA REBELLO MAFRA, CADEIRA N. 14

O ano novo mal começou e nossos sonhos de felicidade já foram atropelados pelas ações bélicas do presidente da maior potência do planeta. Diante disso, a pergunta se impõe: e agora? O que esperar de 2026? Talvez seja preciso reaprender o sentido do verbo esperar. Não o da espera imóvel, resignada, mas o da esperança que anda, que age, que constrói. Esperar, neste tempo histórico, é verbo de movimento.

O fim de 2025 deixou o mundo atordoado. Tarifas lançadas como mísseis, mercados em convulsão e uma sensação difusa de que a força voltou a falar mais alto que a diplomacia. A economia global foi transformada em campo de batalha, e quem ousa desafiar a hegemonia paga o preço. No meio desse cenário, a violência política se espalha, sustentada por mandatos frágeis, eleições questionadas e governos que sobrevivem pelo medo.

Desrespeitar a soberania alheia tornou-se prática recorrente. Não se trata de moral ou valores universais, mas de poder nu e cru. Na geopolítica real, o discurso civilizatório serve apenas como verniz, por baixo dele, operam interesses bem conhecidos: controle, segurança, lucro. Guerras e confrontos externos cumprem uma função adicional, desviam a atenção de economias combalidas, inflamam o nacionalismo e produzem a ilusão de unidade em torno de líderes cada vez mais contestados.

Diante disso, os limites do poder não estão no mundo, mas dentro de casa. Governos que parecem fortes dependem de consensos frágeis, de eleições próximas e de economias instáveis. Quando o custo da aventura externa começa a pesar no bolso, a retórica heroica perde força.

E nós? Como vamos atravessar este novo ano? A resposta não está fora, nem virá das grandes potências. Proteger nosso quintal significa fortalecer a democracia, reduzir desigualdades e recuperar a capacidade de decidir nossos próprios rumos. Esperança, aqui, não é consolo: é escolha política. É organização, participação e recusa em aceitar a violência como destino.

Talvez o maior desafio de 2026 seja este: transformar o medo em ação e a incerteza em construção coletiva. Porque, em tempos sombrios, esperar parado é desistir e esperançar é seguir em frente.

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