50 e uns…

Fernando Cardoso de Souza

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES 

Acadêmico: Jornalista Fernando Cardoso de Souza, cadeira n. 4

Sabe aquelas pessoas que chegam aos 50 anos e a gente chamava de coroa, tiozão? Pois é, nunca me imaginei chegar nessa idade, até porque parece que nem faz tanto tempo assim que estava no auge dos meus 30 anos.

Hoje acordei e, de repente, não eram mais 30, como no filme e sim cheguei aos meus 51 anos de idade. Senti um misto de alegria, melancolia e preocupação.

Alegria de ter vivido intensamente mais de meio século, ter aproveitado a vida, ter passado por várias fases, várias experiências, conhecido muitos lugares, pessoas, músicas boas e ter feito parte de uma geração que viu de tudo um pouco, que tirava o bullying de letra (mesmo sem saber que apelido pejorativo e brincadeiras de mau gosto significava isso). Feliz por ter estudado, trabalhar até hoje no que gosto, ter amigos queridos e constituir uma família que amo muito.

Melancolia em saber que o tempo não volta mais, que aquelas brincadeiras, lugares, festas e coisas ficaram para traz. Que pessoas queridas se foram e que não vão voltar para o nosso convívio (não nessa vida). Ficaram boas lembranças e muita saudade de um tempo que passou e que, por mais que a gente tente fazer tudo do mesmo jeito e ouvir a mesma trilha sonora, nunca será como antes.

Preocupação em saber que depois dos 50 vem os 60, depois os 70, talvez os 80 e quem sabe um pouquinho mais. Só que passar dos 50 anos é já estar descendo a ladeira da vida, é pensar que daqui há pouco vem as “doenças de velho”, limitações e o ritmo vai ser outro, a gente querendo ou não que isso aconteça.

Porém, penso que a vida é um presente de Deus e que devemos aproveitá-la ao máximo, tentando ser melhor a cada dia. Encaro a experiência de ter vivido meio século como um grande aprendizado e me propondo a viver mais, valorizando cada momento, cuidando do corpo e da mente para prolongar a chegada da velhice e quando ela chegar, que eu possa olhar para trás e dizer com orgulho que vivi tudo isso e que valeu muito a pena, sem apenas passar pela vida.

Chegar aos 50 e uns é só um novo começo, um novo capítulo da vida que podemos tentar escrever da melhor maneira possível, errando menos, valorizando mais cada momento e se permitindo viver intensamente. Sinto que estou novo demais para ser velho e velho demais para ser jovem, porém ainda tenho muita coisa a viver.

Sobre chegar aos 51 anos, posso dizer que estou feliz e motivado para continuar essa jornada rumo aos 100 anos. Se vou conseguir chegar lá é outra história. O importante é não perder o brilho nos olhos, se cuidar, valorizar e saber aproveitar cada momento. Tem muita gente que nem conseguiu chegar até aqui…

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