Velha Infância

Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina – Seccional Navegantes

Ana Cristina Cabral – Acadêmica de Licenciatura plena em História e Letras – Português

Quando foi que você cresceu? Não quando chegou à mocidade, nem se enxergou como adulto. Quando foi que a vida perdeu um pouco de cor? É quando pensamos que crescemos, mas na verdade empobrecemos de alma.

No livro O Pequeno Príncipe, o aviador, ainda menino, desenha uma cobra que engoliu um elefante. Os adultos alegam: Um chapéu! Isso não pode ser outra coisa se não um chapéu. Que gente pouco criativa… o desenho era claramente uma cobra que engoliu um elefante.

Talvez seja uma consequência da maioridade. Os brinquedos já não falam, os balanços já não voam e, é claro, que as nuvens não têm formato de animais. As estrelas já não piscam somente para você, muito menos realizam desejos. As cobras parecem chapéus.

Amarelinha, taco e picolé, estrelas, nuvens e desenhos. Eram todos mais significativos quando éramos crianças. Ganhavam vida por causa dos olhinhos brilhantes e criativos da infância. Eram coloridos, mais que um arco-íris, pareciam até maiores do que realmente são. Ou nós que éramos pequenos? Agora grandes, essas coisas são deixadas de lado. Coisas humanas, tão especiais, não importam mais. A risada não cabe no calendário, a brincadeira é espaçosa para o dia-a-dia. Mas até adultos têm o direito de brincar.

De qualquer jeito, crescemos. Não só isso… nos perdemos no meio do caminho, quando deveríamos apenas envelhecer. Acredito que ainda haja uma criança aí dentro, que no espelho encara um adulto. A infância pode até ser velha, antiga, passada. Mas continua viva.

Bem… já decidiu se era uma cobra que engoliu um elefante, ou se era um chapéu?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


ATENÇÃO: Você não pode copiar o conteúdo
Direitos reservados ao Jornal nos Bairros