Durante muito tempo, o Outubro Rosa em Navegantes parecia se resumir a uma agenda de conscientização, com distribuição de panfletos, orientações e discursos sobre a importância da prevenção ao câncer de mama. A mensagem era necessária, mas havia uma contradição difícil de ignorar: quando a mulher decidia procurar o serviço de saúde recomendado, muitas vezes não encontrava atendimento disponível ou precisava enfrentar uma longa fila de espera.
Afinal, de pouco adianta dizer às mulheres que precisam cuidar da saúde se o acesso aos exames e aos atendimentos não acompanha o discurso. Conscientizar é fundamental, mas garantir condições para que a prevenção aconteça na prática é o que faz a diferença.
Neste Outubro Rosa, porém, Navegantes apresentou um movimento que merece ser reconhecido. A campanha veio acompanhada da oferta de serviços e de ações concretas para ampliar o acesso das mulheres à saúde. A Secretaria Municipal de Saúde promove um mutirão com centenas de exames, incluindo ultrassonografias de mama, mamografias e outros procedimentos, além de atendimentos voltados à saúde feminina. É uma iniciativa importante, especialmente diante da demanda acumulada por esses serviços.
Outro aspecto positivo é a atuação conjunta do poder público com a sociedade civil organizada, representada pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Navegantes. A Rede Feminina é um exemplo de trabalho que não começa em outubro nem termina quando a campanha muda de cor. Ao longo de todo o ano, a entidade oferece serviços gratuitos, como agendamento de exames preventivos em parceria com clinica particular de Navegantes e atendimento ginecológico para pacientes oncológicas. Também disponibiliza acolhimento por meio de psicoterapia, Reiki, massoterapia e grupos de apoio, além de promover palestras e atividades de conscientização.
Esse trabalho permanente, sustentado também pelo voluntariado e pela solidariedade da comunidade, mostra que cuidar vai muito além de distribuir informação. É acolher, orientar, acompanhar e oferecer suporte a quem enfrenta a doença. É reconhecer que, por trás de cada diagnóstico, existe uma mulher que precisa de atendimento, mas também de apoio durante todo o tratamento.
Navegantes tem, portanto, uma oportunidade de transformar uma mobilização de outubro em uma política permanente de cuidado. Quando o poder público disponibiliza serviços e trabalha em parceria com entidades que conhecem de perto a realidade das pacientes, a campanha ganha outro significado: deixa de ser apenas um alerta e passa a representar uma resposta concreta às necessidades das mulheres.
