Com reajuste previsto para entrar em vigor entre o primeiro e o segundo turno, benefício médio sobe para R$ 777; oposição e analistas apontam uso eleitoreiro diante do avanço da dívida pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o reajuste do programa Bolsa Família em cerca de 15%. A medida altera o valor mínimo repassado às famílias de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio salta de R$ 675 para R$ 777.
Os novos valores passarão a ser pagos a partir do dia 19 de outubro na folha de pagamentos do programa — calendário que coincide exatamente com o intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
Mudanças na Estrutura do Benefício
Com a atualização da tabela, o repasse individual por integrante familiar também foi reajustado:
| Indicador | Valor Anterior | Novo Valor |
| Piso Mínimo do Programa | R$ 600,00 | R$ 691,00 |
| Benefício Médio | R$ 675,00 | R$ 777,00 |
| Valor Mínimo por Integrante | R$ 142,00 | R$ 164,00 |
Nota: O piso de R$ 600 havia sido estabelecido na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a transição do Auxílio Emergencial para o Auxílio Brasil — marca reformulada para Bolsa Família no início do mandato de Lula em 2023.
Contraponto Fiscal e Reação Política
O anúncio gerou forte reação de políticos da oposição e de órgãos de controle, que classificaram a medida tomada em setembro de 2026 como uso eleitoreiro do orçamento público.
O impacto financeiro estimado nas contas públicas é de:
- 2026: R$ 5,8 bilhões
- 2027: R$ 22,0 bilhões
O reajuste do programa social ocorre em um cenário fiscal delicado. Segundo dados do próprio Governo, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) do Brasil atingiu o patamar de R$ 10,9 trilhões em julho de 2026, representando 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
