Nautimodelista de Navegantes recria réplica do Panagia, o primeiro navio a atracar na Portonave

Nautimodelista de Navegantes recria réplica do Panagia

O artista e pesquisador Aldemir José dos Santos concluiu a maquete do cargueiro que marcou o início das operações do complexo portuário em 2007.

O artista e pesquisador navegantino Aldemir José dos Santos concluiu recentemente a réplica em escala do navio Panagia, uma obra que resgata um capítulo fundamental da memória portuária e econômica de Navegantes. A escolha da embarcação tem forte apelo histórico: em 17 de maio de 2007, o cargueiro tornou-se a primeira embarcação a atracar no berço um do cais da Portonave, quando o terminal privado ainda estava em fase de implantação.

A chegada do Panagia representou o marco inicial de uma era de expansão e desenvolvimento acelerado para o município, consolidando Navegantes como um dos principais polos logísticos do país.

Sonho de infância e resgate da identidade navegantina

Para o artesão e pesquisador, a conclusão da maquete do Panagia representa o ápice de uma jornada iniciada ainda na infância. Aldemir compartilha que o desejo de reconstituir os marcos do município acompanhou toda a sua trajetória artística:

“Esse meu trabalho é um trabalho de um sonho que eu tive também, desde menino, fazer primeiros objetos nas casas, nas embarcações de Navegantes. Então, eu consegui fazer, por exemplo, a primeira igreja, o primeiro clube, as primeiras lanchinhas que faziam travessias de Navegantes. Foi um sonho que eu realizei, desde a idade em que eu tinha oito anos. Tinha esse propósito de um dia eu fazer todo um acervo de Navegantes. E, graças a Deus, eu consegui fazer esse trabalho e também fazer agora a réplica do primeiro navio que aportou em Navegantes, que trouxe os primeiros guindastes para o porto. Foi um trabalho meio minucioso e de pesquisa, mas, graças a Deus, eu consegui”, celebra Aldemir.

Aldemir José dos Santos

O marco de 2007 e os primeiros gigantes

Pertencente ao armador dinamarquês Combi Lift, o Panagia trouxe da Alemanha os primeiros equipamentos de grande porte do complexo portuário: dois guindastes sobre rodas Mobile Harbour Crane LHM-500 S (MHC).

As máquinas — com cerca de 500 toneladas cada e capacidade para erguer até 100 toneladas — eram raridades na época, com apenas nove exemplares similares em toda a América Latina. O desembarque atraiu autoridades, órgãos reguladores e colaboradores da Portonave, simbolizando a concretização de um planejamento iniciado dez anos antes, com a aquisição dos primeiros terrenos na cidade.

Outros resgates históricos e acervo municipal

Antes de se dedicar ao Panagia, Aldemir já havia se destacado ao reconstituir visualmente o vapor inglês Pallas, embarcação histórica naufragada no início do século XX no leito do Rio Itajaí-Açu. Utilizando as plantas originais do vapor, o modelista produziu quatro réplicas minuciosas (em tamanhos de 40 cm, 42 cm e 65 cm), permitindo à comunidade visualizar a estrutura que repousa no fundo do rio.

Embarcação / ElementoContexto Histórico em NavegantesDestaque da Réplica / Trabalho
Navio PanagiaPrimeiro navio a atracar na Portonave (17/05/2007) com os primeiros guindastes.Construção minuciosa baseada em plantas técnicas oficiais.
Vapor PallasHistórico navio inglês naufragado no leito do Rio Itajaí-Açu no início do século XX.4 réplicas em escala (duas de 40 cm, uma de 42 cm e uma de 65 cm).
Acervo Histórico LocalPrimeira igreja, primeiro clube e primeiras lanchas de travessia do município.Resgate da memória visual e urbana de Navegantes idealizado desde a infância.

Onde conhecer as obras

Grande parte desse patrimônio em miniatura está acessível ao público. Aldemir mantém diversas de suas criações em exposição no Centro Integrado de Cultura (CIC) de Navegantes, oferecendo um espaço aberto de portas abertas para quem deseja entender melhor o passado naval e o desenvolvimento da região através do nautimodelismo.

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