Restrição de calado determinada pela Capitania dos Portos pode reduzir movimentação de cargas em até 30% em período de alta demanda no segundo semestre.
A Associação Empresarial de Navegantes (ACIN) divulgou uma nota oficial, nesta quarta-feira, 12, manifestando preocupação com as recentes restrições de navegabilidade no canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A manifestação ocorre após a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí determinar uma folga de segurança adicional de 0,50 metro para as embarcações — somando 0,80 metro de margem total — devido à perda de profundidade identificada no local.
Na mesma medida, a Autoridade Marítima solicitou aos responsáveis pelo complexo a recomposição imediata do calado e a realização de um novo levantamento hidrográfico dos canais e das Bacias de Evolução nº 1 e nº 2. A entidade empresarial endossou a cobrança e alertou que a plena navegabilidade é condição indispensável para a sustentabilidade econômica do município e do estado de Santa Catarina.
Segundo a ACIN, o canal enfrenta um histórico recorrente de instabilidade, marcado por interrupções nos serviços de dragagem no início de 2025 e ao longo de 2026. A nova limitação de calado impacta diretamente a programação dos navios em um momento crucial: o segundo semestre, período de maior volume de movimentação devido às encomendas de fim de ano. Projeções do setor estimam uma queda de até 30% no fluxo de cargas caso o problema persistir.
O cenário é agravado pelas condições geográficas e climáticas do complexo. Por se tratar de um porto estuarino, o assoreamento ocorre de forma contínua. Além disso, as previsões meteorológicas para o segundo semestre de 2026 indicam forte probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que eleva o volume de chuvas no Sul do país e acelera o acúmulo de sedimentos no canal.
Diante do quadro, a presidente da ACIN, Débora Celine Bergamaschi dos Santos, defende a concessão do canal de acesso como a alternativa mais viável para encerrar o ciclo de intervenções emergenciais. De acordo com a entidade, um contrato de longo prazo, com metas rígidas de profundidade e fiscalização regulatória, é o único mecanismo capaz de assegurar a dragagem contínua e a previsibilidade operacional exigida pelo mercado internacional.
