ACIN manifesta preocupação com pedido de suspensão da concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário

Em nota oficial, Associação Empresarial de Navegantes alerta para os riscos de novos atrasos na infraestrutura e cobra previsibilidade nas operações portuárias da região.

A Associação Empresarial de Navegantes (ACIN) veio a público expressar profunda preocupação com o pedido de suspensão cautelar do processo de concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A solicitação foi feita pela Superintendência do Porto de Itajaí à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) por meio do Ofício nº 199/2026/SPI.

Em nota oficial assinada pela presidente da entidade, Débora Celine Bergamaschi dos Santos, a ACIN alerta que uma nova paralisação pode empurrar para um futuro incerto soluções estruturais aguardadas há anos pela comunidade portuária.

O peso da atividade portuária para Navegantes

A entidade destaca que o porto é o principal motor econômico do município. Dados do Relatório de Sustentabilidade da Portonave — terminal reconhecido pela ANTAQ como o mais eficiente do país em movimentação de contêineres — evidenciam o impacto social e financeiro da operação:

  • Empregos: Mais de 1,3 mil vagas diretas e cerca de 5,5 mil indiretas.
  • Arrecadação: Aproximadamente R$ 37 milhões gerados em Imposto Sobre Serviços (ISS) no último ano, correspondendo a cerca de 42% da receita municipal.
  • Impacto Social: Apoio a 71 projetos em 2025 via Instituto Portonave, beneficiando mais de 240 mil pessoas.

“A cada navio que atraca, a cada contêiner movimentado, há empregos que sustentam famílias e receita que custeia serviços públicos essenciais como saúde, educação e infraestrutura”, pontua o documento.

Histórico de instabilidade e gargalos operacionais

O principal ponto de alerta da associação é a manutenção do calado operativo, idealmente fixado em 14 metros. O histórico recente do canal revela episódios recorrentes de perda de profundidade decorrentes da interrupção nos serviços de dragagem por problemas contratuais em 2025 e 2026.

A nota lembra, inclusive, que a ANTAQ autuou a administração do porto em maio de 2026 devido a defasagens nas cotas do canal interno e da bacia de evolução. Embora reconheça os esforços recentes de recuperação do calado homologados pela Autoridade Marítima, a ACIN enfatiza que a previsibilidade do serviço ainda não está garantida de forma definitiva.

Além disso, pendências históricas continuam travando a expansão do complexo:

  • Casco do Pallas: O navio encalhado em 1893 (redescoberto em 2017) segue em fase de estudos para remoção, passo essencial para o aprofundamento do canal.
  • Bacia de Evolução nº 2: A segunda etapa das obras, necessária para o recebimento de navios de maior porte, permanece condicionada à resolução do naufrágio.

Apelo por celeridade e diálogo institucional

Diante do cenário, a ACIN apresentou quatro posicionamentos centrais em sua manifestação:

  1. Alerta contra adiamentos: Receio de que a suspensão do processo de concessão traga prejuízos de competitividade para a economia catarinense.
  2. Respeito às normas: Reconhecimento da importância das determinações do Tribunal de Contas da União (TCU), defendendo que rigor técnico e celeridade devem caminhar juntos.
  3. Previsibilidade: Defesa prioritária de uma solução definitiva que garanta a manutenção contínua e a dragagem do canal.
  4. Diálogo: Colocação da entidade à disposição da ANTAQ, do Ministério de Portos e Aeroportos e de órgãos competentes para contribuir com o debate.

“O custo de mais um adiamento não é abstrato; ele se mede em perda de competitividade, em navios que deixam de atracar e em oportunidades que migram para outros complexos portuários”, conclui a presidente da ACIN.

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