Pais dizem que só souberam do caso após relatos entre as próprias crianças
Denúncia na Escola Básica Professor Martinho Gervasi, no bairro Brilhante, em Itajaí. Conforme relatos, ao menos três alunos teriam ingerido tadalafila — substância presente em medicamentos para disfunção erétil — dentro da escola. O caso, ocorrido há algumas semanas e que só chegou ao conhecimento das famílias após comentários feitos pelas próprias crianças, ganhou repercussão depois que pais passaram a questionar a falta de transparência da unidade sobre o ocorrido.
Uma mãe de aluna de oito anos contou que a situação começou a chamar atenção quando estudantes relataram, em casa, que haviam sido orientados na escola a não aceitar medicamentos de colegas. O alerta, segundo ela, causou estranhamento, já que nenhuma informação oficial havia sido repassada às famílias.
A partir disso, pais passaram a trocar mensagens e reunir informações. Houve relatos de crianças que teriam passado mal após ingerirem o medicamento. Inicialmente, segundo as famílias, a versão apresentada pela escola mencionava apenas um episódio envolvendo ibuprofeno.
A mesma mãe afirma que procurou a unidade e, em um primeiro momento, ouviu que a situação não era verídica. No atendimento presencial, a direção teria confirmado apenas o caso do ibuprofeno, tratando a orientação dada em sala como uma medida preventiva.
Ainda no mesmo dia, no entanto, pais tiveram acesso a um vídeo de uma reunião entre equipe escolar e responsáveis. Na gravação, a direção reconhece a ocorrência e menciona que três alunos teriam ingerido tadalafila. Um dos estudantes teria levado o medicamento, supostamente pertencente ao pai, e oferecido aos colegas.
A escola informou que optou por não comunicar todas as famílias para preservar a identidade das crianças envolvidas, restringindo o contato aos responsáveis diretos. A decisão gerou insatisfação entre pais.
Outro ponto levantado pelas famílias diz respeito à rotina antes do início das aulas. Segundo relatos, os alunos chegam por volta das 7h15 e permanecem por um período sem supervisão direta, o que, na avaliação dos pais, pode favorecer situações de risco.
A Secretaria de Educação de Itajaí confirmou que foi informada sobre o caso e afirmou que a escola seguiu os protocolos previstos. De acordo com a pasta, os responsáveis pelos alunos envolvidos foram contatados e reuniões foram realizadas. Em uma das situações, diante da falta de retorno, a direção foi até a residência da família.
A secretaria também reiterou que a decisão de não ampliar a comunicação teve como objetivo evitar a exposição dos estudantes. Após o episódio, a escola reforçou orientações sobre os riscos da automedicação e as regras para uso de medicamentos no ambiente escolar.
Segundo a pasta, qualquer aluno só pode fazer uso de remédios na escola com prescrição médica e autorização da direção. O caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar, que acompanhará a situação.
Fonte: DIARINHO
