A sequência de acidentes graves registrados nas rodovias que cortam o Litoral Norte catarinense reacendeu o debate sobre a necessidade de alternativas ao transporte rodoviário de cargas. Colisões envolvendo caminhões têm resultado em mortes frequentes nas vias que concentram grande parte do fluxo destinado aos portos da região.
Com o tráfego cada vez mais intenso e a infraestrutura viária operando no limite, a implantação da Ferrovia dos Portos – projeto que prevê a ligação ferroviária entre Araquari, que dá acesso ao Porto de São Francisco do Sul, e o complexo portuário de Itajaí e Navegantes – a proposta, discutida há anos, é vista como uma alternativa estratégica para reduzir o volume de carretas que hoje dependem exclusivamente da malha rodoviária.
A expectativa é que a ferrovia redistribua o transporte de cargas, diminuindo a pressão sobre trechos críticos da BR-470 — conhecida pelos congestionamentos e alto índice de acidentes — e da BR-101, uma das rotas mais movimentadas do país. O problemático trecho de Navegantes/Luiz Alves da SC-414, utilizada como acesso ao Porto de Navegantes, também se beneficiaria da redução de caminhões em circulação.
Além do impacto na segurança viária, a Ferrovia dos Portos poderia gerar ganhos logísticos, melhorar a fluidez do transporte e aumentar a competitividade da região, que concentra alguns dos principais terminais de cargas do Brasil. Em paralelo, permitiria que trechos urbanos hoje dominados por longas filas de caminhões tivessem mais segurança para moradores e trabalhadores.
Enquanto o projeto não sai do papel, a realidade aponta para um cenário preocupante. As rodovias seguem sobrecarregadas, e a população continua pagando o preço com vidas perdidas. A recente série de acidentes mostra que a discussão sobre a ferrovia não é apenas uma demanda de infraestrutura — é uma questão de segurança pública.
