Dr. Pablo fala sobre a solução para “elefantes brancos” da saúde

Frente à pasta desde maio de 2022, o secretário da Saúde de Navegantes colocou em funcionamento o CIS, está dando continuidade às obras há anos paradas do hospital e tem planos para a Academia da Saúde.

Ele possui o conhecimento médico e a experiência em gestão, bagagem fundamental que o credibiliza para estar à frente de uma das pastas mais importantes da administração municipal. O Jornal nos Bairros esteve, nessa semana, no gabinete do secretário da Saúde de Navegantes, o médico infectologista Dr. Pablo Sebastian Velho, que contou em entrevista exclusiva um pouco mais sobre os trabalhos em andamento, desafios e metas da pasta, que administra desde maio de 2022.

Pauta de grande importância abordada foi a obra do segundo piso do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, que, junto com outros prédios inacabados de gestões passadas, foi um grande desafio para a atual gestão da saúde. Ressaltou que a obra não irá ampliar serviços, mas melhorar os que já existem, visto que os serviços de alta complexidade são obrigação do Estado, sendo o Hospital Marieta, em Itajaí, o hospital de referência na região da AMFRI. Outra pauta foi a construção de três novas unidades básicas de saúde, uma com recursos próprios e duas com recursos do Governo Federal, por meio do PAC, tendo como meta resolver demandas em bairros que possuem as UBS mais tensionadas, como a de Nossa Senhora das Graças, Central, Gravatá e Meia Praia.

Confira a entrevista com o Dr. Pablo Sebastian Velho na íntegra:

Jornal nos Bairros: Em relação às obras do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, pode contar como está o andamento?

Dr. Pablo Sebastian Velho: A reforma do segundo piso do hospital, que foi tão aguardada pela nossa população, finalmente saiu do papel, nós estamos executando ela já há alguns meses, e nós temos uma boa previsão de que até o final do ano ela deve estar concluída. Então, isso é apenas a primeira etapa, porque, logicamente, nós precisaremos equipar todo esse segundo piso para que ele possa trabalhar tudo aquilo que foi construído dentro dele, que serão as novas salas cirúrgicas, o novo centro de parto normal e também a parte de esterilização de materiais. Temos essa previsão de finalização das obras em dezembro, e já no próximo ano a busca de recursos para que seja possível equipar e atender adequadamente a nossa população.

Obras no segundo piso do hospital retornaram depois de anos paradas. Foto: SECOM

JB: O governo municipal anunciou três novas Unidades Básicas de Saúde, uma no Gravatá, uma no bairro São Paulo e uma que já está em construção no Nossa Senhora das Graças. Poderia falar um pouco sobre essas três novas unidades?

Dr. Pablo: Partimos para uma nova modalidade de entrega. A UBS do bairro Nossa Senhora das Graças, que deve ser entregue em breve, é um grande exemplo disso. Ela (que irá substituir a atual) vai se tornar uma referência, especialmente na parte arquitetônica, sendo uma unidade que traduz aquilo que acreditamos, que é ofertar o melhor para as pessoas. Essa UBS é uma unidade que nós chamamos de porte três, ou seja, ela pode contemplar até três equipes de saúde da família, chegando a 12 mil pessoas que poderão ser atendidas por essa unidade. É uma unidade extremamente completa, com sala de vacina, farmácia, sala do dentista, todos os elementos necessários, além de um espaço amplo para receber os nossos agentes comunitários de saúde, que entendemos que precisam também do seu espaço para fazer tanto o seu trabalho quanto as suas reuniões. É uma unidade com espaço para a demanda, visto que muitas unidades já estão espremidas no local onde elas estão, devido ao crescimento da população e também ao nosso investimento em equipes, porque nós aumentamos muito as equipes de saúde que trabalham no município, elas acabam ficando em espaços hoje que não comportam mais. A nova unidade do Nossa Senhora das Graças será custeada com recursos próprios, inclusive, uma modalidade nova que foi utilizada, que é o BTS, ou seja, até o momento nós não pagamos nada por essa construção, ela só começa a ser paga no momento que ela for entregue. Isso é uma otimização do uso do recurso público que a gente tem bastante orgulho de fazer.

Em relação à nova UBS São Paulo – que será mais uma UBS para o bairro, às vezes as pessoas se confundem, “ah, será que vai substituir a atual por essa nova?”, não, é mais uma unidade – também é uma unidade de porte 3, visto que já temos a unidade de porte 2 ali na entrada do bairro, com capacidade para atender 8 mil pessoas. A nova unidade ficará lá no final, próximo da escola Bruce, onde poderá atender mais 12 mil pessoas. Ao total, poderemos acolher 20 mil pessoas no bairro. Isso será um ponto de partida para melhorar o acolhimento que fazemos para a população do bairro São Paulo que tanto precisa. Lembrando que a demanda no bairro São Paulo teve um alívio muito bom com o horário estendido, a partir do momento que abrimos algumas noites e final de semana, isso aliviou um pouco a sobrecarga da unidade, além do aumento no número de equipe, com três equipes de saúde da família atendendo ali.  

E nesse ano, nós tivemos a graça de ser contemplados novamente pelo PAC, então vai ser uma nova unidade básica de saúde no Gravatá, uma região do município que também cresceu muito. Sabemos que aquela região ali, que vai da Meia Praia para o Gravatá, teve um crescimento muito grande, especialmente lá para trás, próximo da Radial, então as nossas unidades de saúde estão muito para frente, as duas são na avenida José Juvenal Mafra, então o objetivo é colocar mais uma unidade mais para trás, para que consiga de novo dividir a população, porque temos esse problema, precisamos espalhar as pessoas para mais perto da sua unidade de saúde de referência e, a partir daí, de novo uma unidade de porte 3, que vai atender mais 12 mil pessoas, ficando o Gravatá também com duas unidades básicas de saúde.

Nova UBS Nossa Senhora das Graças deve ser finalizada em breve. Foto: Marcos Porto SECOM

JB: A respeito das teleconsultas, a Saúde está investindo bastante nisso. Qual a importância das teleconsultas no atendimento à população?

Dr. Pablo: Bom, vamos só ampliar um pouquinho esse conceito para falar de telesaúde, porque o que estamos investindo é mais em tecnologia para acelerar a resposta para a população. Nós já tínhamos o eletrocardiograma, por exemplo, que o laudo é feito por meio do telesaúde, então isso é muito rápido, porque o paciente vai lá, faz a consulta, faz o eletro e sai com o documento com o número de protocolo, quando ele retorna ao médico, por aquele protocolo, o médico já consegue ver o laudo do eletrocardiograma, isso já vem funcionando. Teledermatoscopia, que é quando o paciente vai à consulta da UBS e tem uma lesão com alguma suspeita, alguma característica que o médico da unidade de saúde não resolve, ele vai fazer a fotografia ampliada dessa lesão através do telesaúde, para identificação das características e já com a conduta que o médico tem que adotar. Algumas especialidades também já conseguimos fazer por teleconsultoria, por exemplo, em saúde mental, que é um problema muito grande da nossa população e que vamos encarar de frente agora no próximo ano, onde conseguimos fazer uma espécie de matriciamento para os médicos da unidade de saúde, ou seja, ele atende um paciente que fica na dúvida do melhor manejo de medicamento, algo assim, então, consegue fazer também por aí. O que temos de expectativa para frente? Queremos ampliar esses canais de comunicação, que fique mais fácil para o paciente lá da sua casa falar, por exemplo, com a unidade de saúde. Precisamos, inicialmente, organizar essa tratativa e isso depende não só da nossa vontade, mas também do nosso sistema de prontuário eletrônico que nós utilizamos no momento, chamamos isso de interoperabilidade. Por vezes, nós queremos lançar um novo sistema de agendamento de consultas, mas ele não conversa com o sistema que faz a marcação, com isso, queremos tratar isso para o próximo ano, inclusive, nós temos já algumas mudanças previstas em relação aos sistemas que utilizamos, podendo evoluir nesse sentido. Pensando em atender mais ainda a população, eu só gostaria de reforçar que a nossa prioridade é o atendimento presencial, embora nós saibamos que muitos municípios obtêm sucesso com as teleconsultas, mas Navegantes ainda é uma cidade que depende muito da atenção primária na saúde, e as diretrizes de atenção primária determinam que a sua equipe de saúde é quem cuida do território. Sim, podemos progredir, trazer novas modalidades de oferta, porém a nossa prioridade ainda vai ser o atendimento médico, de enfermagem, presencial, dentro da unidade de saúde, para que a equipe de saúde consiga acompanhar a população do seu território.

JB; E talvez diminua também as faltas dos pacientes nas consultas?

Dr. Pablo: Conversando com as unidades de saúde, nós percebemos essa dificuldade de comparecimento, que chamamos de absenteísmo. Como isso começou a incomodar as próprias unidades, isso é muito legal quando é uma diretriz que não parte necessariamente da secretaria, mas parte lá da organização do serviço, elas começaram a publicar no mural: mês passado, tantas pessoas faltaram em consulta. Trouxe uma corresponsabilização para o usuário que não foi na sua consulta e, por esse fato, tirou o lugar de alguém que estava precisando. É preciso entender que queremos ofertar, mas também queremos o compromisso das pessoas realmente comparecerem para não tirar o lugar de alguém que vai precisar e não vai mais ter como ser atendida.

JB: Foi anunciada, na semana passada, a possível vinda da Renal Vida para Navegantes. Como é que começou essa conversa e como está essa tratativa?

Dr. Pablo: Essa conversa já tem mais ou menos dois anos. Desde que o prefeito Liba me convidou para que nós visitássemos as instalações dessa clínica, nós ficamos bastante impressionados com a qualidade do serviço que é ofertado. E reconhecendo que Navegantes tem tudo para se tornar um polo de saúde da parte do Rio para cima, aqui na nossa região, é importante que essas instituições, que já são bastante acreditadas, venham se instalar no município, para que tragam o que nós chamamos de “hub de saúde”, ou seja, é uma organização de diversos serviços complementares que acabam trazendo para cá como uma referência. Então, por exemplo, na questão renal, nós temos hoje em Navegantes, aproximadamente, 100 pessoas que fazem uso desse serviço em Itajaí. São 60 pessoas fazendo diálise, que pode ser ou a hemodiálise ou a diálise peritonial, e 40 pessoas, aproximadamente, que fazem apenas o atendimento ambulatorial, porque aquelas pessoas que já estão em estágios mais avançados da doença renal, mas que ainda não estão fazendo a diálise, precisam desse acompanhamento próximo e especializado, imagina, nós estamos falando só de Navegantes e são 100 pessoas. A ideia é que consigamos atender todos os pacientes aqui do Rio em direção ao Norte,  Navegantes, Luiz Alves, Penha, Piçarras, Barra Velha, ou seja, toda essa população que também depende de atravessar o Rio para fazer esses procedimentos e consultas vai poder ser atendida em Navegantes.

Renal Vida tem plenos para instalar uma sede em Navegantes

JB: E como funciona? É um tipo um convênio que faz com a instituição?

Dr. Pablo: Em relação ao atendimento dos nossos pacientes, tratando-se de uma questão de alta complexidade, o município não paga nada por esse serviço. Esse serviço é totalmente custeado pelo Estado e pela União. Esse recurso vem diretamente do Estado e da União para essas clínicas que hoje são habilitadas no Estado para prestar esse tipo de serviço. Quanto à estrutura, vai depender de uma arrecadação de recursos que eles farão para a construção dessa unidade e o município entra com terreno. Esse é o tipo de parceria que estamos buscando. Já conversamos com outras instituições, que ainda não podemos adiantar, porque enquanto não bater o martelo, a gente não conta. Mas para que realmente a gente consiga ter essas estruturas de referência no município, e aí as pessoas comecem a enxergar as mudanças que estamos realmente produzindo, dando mais confiança para esses parceiros se instalarem aqui no município.

JB: Qual é a solução que a saúde está tomando para as filas para retirada de fichas? Na UBS, Gravatá, por exemplo, foi implantado um protocolo novo, correto?  

Dr. Pablo: Em relação à entrega de fichas para consulta, o que acontece é que as unidades, como eu disse, hoje já não comportam os seus atendimentos normais, em virtude da demanda da população associada ao aumento das equipes que nós fizemos. Tudo isso deixou as unidades menores para acolher. Na UBS do Gravatá, especificamente, é uma unidade que foi construída para ter duas equipes de saúde, mas hoje ela tem três. Então, para facilitar a organização da unidade no recebimento de cada um desses pacientes dos territórios, entendendo que cada equipe de saúde é responsável por um pedaço da nossa cidade, dividimos em três dias da semana para que cada um dos dias seja específico para a sua equipe de saúde. Exemplo, se você mora nessa área atendida pela equipe 1, o seu dia é a quarta-feira. Eu moro na 2, então meu dia é quinta-feira, assim por diante. Só que não existe uma solução única, o que é preciso é estar junto das unidades para reconhecer quais são ali as potencialidades, as fragilidades que cada uma apresenta. Eu não tenho como fazer essa mesma gestão de atendimento, por exemplo, lá no Escalvados, não faz sentido. Hoje nós estamos com 18 unidades básicas de saúde no município, nós vamos chegar com essa progressão a 20 unidades. Cada uma delas é necessário reconhecer a sua particularidade, porque tem um funcionamento diferente, a população atendida é diferente. A UBS Gravatá, depois de seis meses que nós ficamos aqui estudando quais seriam as melhores alternativas, o nosso departamento de atenção à saúde entendeu que essa divisão do território faria mais sentido para eles. E foi o que deu certo.

Quanto ao número de fichas, imagina assim, é feita a entrega de fichas para o mês seguinte para consultas de rotina, que a unidade precisa ter a disposição, e talvez para as pessoas pareçam poucas, mas vai ter o turno que vai estar fechado para o médico fazer o pré-natal, tem o turno que está fechado para o médico fazer a puericultura, existem agendas programadas que não entram para esse balcão, nenhuma gestante vai precisar entrar nessa fila para agendar sua consulta de pré-natal, por exemplo. Os pacientes hipertensos e diabéticos controlados, que a cada seis meses têm que fazer consulta, é outra situação que nós estamos observando de que maneira vamos poder acelerar e garantir essa demanda. Porque quando nós assumimos, tinha uma cultura de renovação de receita, que a população ainda não perdeu, e não queremos mais trabalhar com renovação de receita, queremos ver as pessoas. Mos deparamos com casos de hipertensos que de seis em seis meses renovavam a receita e estavam há quatro, cinco anos sem fazer um exame. Para ler esses dados melhor, estamos evoluindo com os nossos sistemas de informação, contratados por meio do consórcio de saúde. Já temos um sistema que identifica hoje as nossas unidades de saúde e seus atendimentos, temos o sistema da Dengue, que também funciona muito bem, faz o mapeamento dos mosquitos e das doenças dentro do município, e agora estamos progredindo para esse, que vai permitir identificar no mapa da cidade todos os hipertensos, os diabéticos, as gestantes. Com isso, poderemos aprimorar o cuidado das pessoas que estão mais distantes. E é isso que a gente precisa reconhecer, quem realmente não consegue o acesso à saúde. Essas pessoas que a gente precisa ir atrás – o que já originou no horário estendido. De repente, está difícil de conseguir, então vamos ampliar o atendimento. O que percebemos nesse tempo? Ela continuou não resolvendo o problema de situações crônicas, que era uma das nossas metas iniciais. Então, começamos a fazer pilotos, que aconteceram como, por exemplo, na unidade de Meia Praia, onde especificamente numa noite eles se organizam para manter a unidade aberta ou no final de semana, para fazer a agenda de hipertensos. E assim eles conseguem acolher essa população que estava distante do serviço de saúde, encaminhar para os exames complementares e tudo mais quando necessário, esses pacientes crônicos são considerados prioritários, por ter um potencial de agravamento da doença, por isso precisamos conhecê-los pelo nome, é isso que estamos resgatando.

JB: A UBS do bairro São Pedro foi para um novo local, vocês já têm algum plano para o antigo prédio?

Dr. Pablo: O que aconteceu ali na UBS São Pedro? Nós tínhamos uma unidade muito estreita. E de novo, numa unidade que era para ter uma equipe de saúde da família, colocamos duas. A população estava sendo atendida lá naquela UBS, mas as condições de trabalho das equipes estavam muito inadequadas. Só que qual é a dificuldade que teve ali? Nós não encontrávamos um espaço para alugar. Então começamos a reforma na unidade, porém vimos que não ia dar certo, porque não estava sendo viável reformar com as pessoas dentro. Finalmente, depois de três anos procurando um espaço para alugar, surgiu um imóvel dentro das condições adequadas para fazer atendimento da população – claro, as questões de acessibilidade a gente precisou resolver. No espaço antigo, o objetivo é fazer uma unidade nova, para depender menos de aluguel.

JB: Mas vai derrubar tudo ou vai reformar?

Dr. Pablo: Vamos fazer o projeto primeiro, para ver qual a melhor alternativa. Vamos manter o local (fundos da Arena de Eventos do Pontal) justamente para atender os eventos. Porque no anterior, chegamos a utilizar ela para atendimento de evento. E queremos, novamente, fazer nesse modelo novo que passamos a utilizar para construção de UBS no município.  

JB: O prédio onde seria a Academia de Saúde do São Domingos, quais são os planos para ali?

Dr. Pablo: A Academia da Saúde foi encontrada em estado de abandono. Quando entramos na unidade, a primeira coisa que nos chamou atenção foi a falta de conexão entre os dois pisos. Embora tenha um vão para colocar um elevador, sabemos que não é tão simples assim fazer isso, além de ser um vão extremamente estreito e que não daria para colocar uma maca dentro desse elevador. Isso já traz alguns problemas, porque quando falamos em acessibilidade num banco, é uma coisa, mas quando falamos de um equipamento de saúde, eu preciso pensar nas condições que podem ser tratadas. Então ao invés de pegar um prédio novo para ofertar um serviço novo, priorizamos comprar equipamentos, ampliar o quadro de equipes, aumentar a oferta de exames – as pessoas já esqueceram, elas esperavam muito mais tempo pra fazer os exames e hoje conseguimos ofertar de maneira mais rápida. E para fazer a reforma no prédio da Academia da Saúde nós precisamos de recurso, porque vai custar bastante dinheiro para conseguir reformar aquele prédio da maneira que ele está hoje. Reformando o prédio, dentro dos nossos serviços que queremos ampliar, podemos utilizar para a saúde mental. A saúde mental no município, quando nós assumimos, contava apenas com um Centro de Atenção Psicossocial tipo 1 (CAPS 1), nós evoluímos para um ambulatório intermediário e ampliação do quadro de médicos, que embora não sejam psiquiatras, são médicos com especialização em saúde mental. Nós tínhamos um médico, hoje são quatro fazendo esse atendimento. Iremos precisar de um serviço maior, a nossa proposta é a evolução para um CAPS 2, considerando a portaria do Ministério da Saúde, que recomenda essa unidade para população com mais de 70 mil pessoas. Então, (o prédio no São Domingos) poderia ser um espaço que utilizaríamos para isso. Mas isso tudo está no nosso Plano Plurianual, para ser executado entre 2026 e 2029.

Prédio nunca entregue no São Domingos pode virar sede do CAPS 2. Foto PMSC

JB: Resumindo, uma obra mal executada em gestões passadas, que agora vocês terão que gastar mais dinheiro para poder deixar o prédio em condições, né?

Dr. Pablo: Semelhante ao segundo piso do hospital. Estão nas mesmas condições. É um fantasma. Ou o CIS (Centro Integrado de Saúde no Gravatá), por exemplo, a gente não lembra mais, né? O CIS, que veio aquele recurso da União e nunca funcionou, também tivemos problema, tinha muita infiltração, tivemos que fazer muito investimento naquele prédio, para hoje estar nas condições de trabalho que está.  

JB: Quais as metas para a saúde até 2028?

Dr. Pablo: São várias. Pensando nas equipes de saúde, a ampliação, como já falei, com essas unidades novas, para ampliar as equipes. Quando falamos de unidade de saúde, nós temos muita preocupação com a saúde bucal, nossa programação é, no mínimo, dobrar o número de equipes de saúde bucal, pois temos salas ociosas pela falta de profissionais, precisamos trabalhar fortemente em cima disso. Temos uma meta de continuar sendo referência na vacinação na nossa região, embora saibamos das dificuldades que temos; continuar sendo referência no combate à dengue, esse ano o município fez o uso de um óleo inédito que fez Navegantes ser uma ilha praticamente sem dengue na nossa região, enquanto os outros municípios estavam sofrendo abarrotados com casos de dengue, não tivemos esse problema graças a um projeto desenvolvido pelo setor da Vigilância de Saúde, o que tenho muito orgulho disso. Continuar a oferta de especialistas e exames complementares, buscando atender os requisitos legais, lembrando que uma das primeiras questões que tratamos aqui foi a regulação do município, que encontramos a parte administrativa também com vários problemas, nós adotamos a priorização aos pacientes que realmente têm condições clínicas. Não trabalhamos com papel na gaveta, tudo isso está dentro do sistema de informação, com acesso direto para o Ministério Público, se a promotora, por exemplo, quiser ver a posição da fila que o paciente X está, ela vai poder me chamar e ter a informação correta de como esse paciente foi inserido na fila, temos muito orgulho disso, trabalhar dentro do sistema de informação, assim como criamos a comissão de monitoramento da auditoria, que é obrigatório, mas não tinha aqui. Em relação ao hospital, temos a prioridade em trabalhar a saúde da mãe e da criança, sabemos que o nosso hospital hoje é referência de maternidade na nossa região, da mesma forma precisamos criar um centro de referência para a saúde materno-infantil, assim como a melhoria na saúde mental. Em relação à infraestrutura, ampliação das unidades já existentes, dentro da necessidade de cada uma (não necessariamente uma nova unidade no bairro, porque depende de terreno), com intenção de ampliação UBS Verde Mar e UBS Meia Praia, mas também já viemos que têm condições de ampliação Porto Escalvado, São Domingos II, essas unidades também estão nessa programação do PPA. Os cuidados com estrutura são contínuos, desde o sistema de cabeamento da internet até o prédio propriamente dito, tudo isso em análise para que consigamos realizar com os recursos que dispúnhamos, ao longo desses quatro anos. Assim como continuar atendendo a população e respeitando o plano de governo do prefeito Liba.  

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