Com o terreno já garantido em Balneário Piçarras, mobilização regional entra em nova etapa e convoca voluntários e doações para a obra.
A tragédia com o pequeno Samuel Henrique Charles, de apenas 10 anos — que perdeu a vida após ser levado por uma onda no bairro Itacolomi, em Balneário Piçarras —, comoveu Santa Catarina e deu lugar a uma grande corrente de solidariedade. Para oferecer um alento e a chance de um recomeço à família de imigrantes do Haiti, que enfrentava condições precárias de moradia, o empresário Leandro Gallas, de Itapema, tomou a frente de uma campanha comunitária para erguer uma nova casa para os pais do menino.
A primeira grande meta da mobilização foi alcançada rapidamente: o montante necessário para adquirir o lote onde a residência será construída já está totalmente arrecadado. Por essa razão, a campanha não busca mais doações financeiras. O foco agora se concentra exclusivamente na captação de materiais de construção — como tijolos, pré-moldados, tintas, móveis e eletrodomésticos —, além do engajamento de voluntários dispostos a doar mão de obra no mutirão de edificação.
Raízes no Haiti e mutirão comunitário
A família veio do Haiti para o Brasil em busca de melhores condições de vida, e Samuel era o único filho do casal. Ao conhecer a realidade difícil vivida por eles em uma casa alugada, um amigo de Charles, que trabalha com ele na construção civil, sugeriu a ideia de ajudá-los a ter uma moradia própria e digna. A escolha por erguer o imóvel do zero, em vez de comprar uma casa pronta, foi pensada estrategicamente para multiplicar as forças: como Charles é pedreiro de profissão, ele próprio participará ativamente da edificação do novo lar, trabalhando lado a lado com profissionais e voluntários da região.
Gesto de fé e empatia em meio à dor
Um dos momentos que mais marcaram o empresário Leandro Gallas foi uma conversa por videochamada que teve com o pai de Samuel logo após a localização do corpo do menino. Mesmo vivendo a dor devastadora do luto, Charles passou minutos da ligação consolando o empresário por conta de uma lesão no ombro que ele enfrentava, transmitindo palavras de fé e otimismo. A postura serena e a espiritualidade do pai, que permaneceu inabalável durante os quatro dias de buscas intensas na orla da praia, reforçaram a missão de transformar aquela dor em uma grande rede de comunhão e acolhimento.
A expectativa da organização é unir empresas, profissionais e a comunidade em um esforço coletivo que proporcione o alento necessário para que a família consiga reconstruir sua história no Litoral Norte.
