A meteorologia prevê alto risco de enxurradas, alagamentos e deslizamentos para o próximo trimestre; probabilidade de fenômeno atingir força máxima é de 93% neste ano.
O inverno em Santa Catarina, que historicamente costuma ser um período mais seco, quebrou os padrões climáticos e já mostrou a força do El Niño. A estação se despede com volumes de chuva acima da média e alta frequência de tempestades severas. O cenário acende o sinal de alerta: de acordo com o 245º Fórum Climático Catarinense, esse comportamento fora do comum vai se intensificar e ganhar ainda mais força nos próximos três meses.
O encontro reuniu meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram para traçar o panorama da próxima estação. O veredito dos especialistas é que a instabilidade vista no inverno vai se estender pela primavera — que começa em 22 de setembro — com o aumento na frequência e na intensidade de sistemas meteorológicos que provocam tempestades entre setembro, outubro e novembro.
Riscos de alagamentos e deslizamentos na região
Os modelos meteorológicos são unânimes em apontar volumes de chuva acima do normal para o trimestre. Moradores de áreas de risco devem redobrar a atenção, já que episódios de chuva intensa e persistente aumentam drasticamente as chances de problemas estruturais nas cidades.
“É possível uma maior frequência de alagamentos, enxurradas e deslizamentos”, explica Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil de SC. Embora a primavera seja historicamente uma época propícia para vendavais e enxurradas, o El Niño deste ano promete potencializar esses eventos na região, tornando o aumento de ocorrências ainda mais perceptível.
Como ficam as temperaturas?
A transição de estações ainda trará reflexos do inverno em setembro, mês em que massas de ar frio ainda podem avançar pelo estado. No entanto, ao longo do trimestre, a tendência é de termômetros marcando temperaturas de dentro a acima da média histórica.
Outra característica do período será o tempo mais fechado. Com a alta presença de nebulosidade, o sol deve aparecer menos, gerando uma menor amplitude térmica — ou seja, a diferença entre a temperatura mínima e a máxima ao longo do dia será menor.
El Niño pode atingir força máxima e durar até 2027
O grande motor dessa transformação climática é o oceano. A temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial segue acima do normal e continua subindo, o que reforça a intensificação do El Niño.
Dados da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA) apontam uma probabilidade impressionante de 93% de o fenômeno atingir intensidade “muito forte” nos próximos três meses. O impacto será de longo prazo: as projeções indicam que o El Niño deve ditar o ritmo do clima pelo menos até o outono de 2027. Diante disso, a Defesa Civil do estado confirmou que manterá um monitoramento preventivo e com atenção redobrada na região.
Recomendações de segurança da Defesa Civil
O potencial para tempestades severas é real. Proteja-se seguindo as orientações oficiais:
- Monitore os avisos: Fique atento aos alertas de temporais com risco de ventos fortes, granizo e chuvas volumosas.
- Evite áreas alagadas: Em caso de chuva persistente, não transite por ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos e evite contato com a água.
- Observe os sinais da terra: Se morar perto de encostas, atente-se à inclinação de postes e árvores, rachaduras em muros ou qualquer movimento de terra e rochas.
- Busque abrigo seguro: Durante temporais com raios e vento, fique longe de árvores e placas. Em casa, prefira cômodos centrais ou o banheiro (estruturas de alvenaria com janelas menores).
- Saia da praia: Se o tempo fechar enquanto estiver na praia, jamais permaneça na água.
Acompanhe diariamente os boletins de previsão do tempo, pois os modelos meteorológicos passam por atualizações constantes.
