Operação percorreu 9 km de orla, do Pontal ao Gravatá; além de degradação ambiental, ação identificou ocupações irregulares e mobilizou assistência social
Uma operação especial de limpeza urbana revelou um cenário crítico na orla de Navegantes neste mês. Entre os dias 9 e 24 de junho, uma varredura ao longo de quase 9 quilômetros de extensão — cobrindo as entradas de praia 1 a 72, do Pontal ao Gravatá — resultou na retirada de aproximadamente 32 toneladas de resíduos camuflados na vegetação de restinga.
O volume impressionante de lixo recolhido pelas equipes da Secretaria de Água e Saneamento Básico (Sasan) expõe tanto o descarte irregular quanto a degradação do ecossistema. Na lista de materiais recolhidos constam mobílias inteiras (como sofás, colchões, camas e cadeiras), além de lonas, tapetes, fiação elétrica, galões de óleo e até fardamentos e materiais escolares.
A equipe de limpeza também desmontou diversas estruturas improvisadas com tijolos, usadas para fogueiras e churrascos, e recolheu objetos cortantes, como facas e tesouras, além de um taco de beisebol.
Segurança e vulnerabilidade social Para além do crime ambiental, a força-tarefa trouxe à tona problemas complexos de segurança e vulnerabilidade social na faixa de areia. Durante os trabalhos, fiscais identificaram 12 pessoas em situação de rua (nove homens e três mulheres) abrigadas de forma precária dentro da vegetação, onde também foi constatado o consumo frequente de álcool e entorpecentes.

Em um dos pontos monitorados, a Polícia Militar precisou ser acionada para garantir a segurança dos trabalhadores após um dos ocupantes apresentar comportamento agressivo.
Por outro lado, a ação também resultou em acolhimento. A Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social foi acionada para prestar atendimento a um idoso que já vivia acampado na restinga há cerca de oito meses. Ele recebeu o suporte necessário e foi encaminhado para reinserção no mercado de trabalho.
Preocupação com o ecossistema A restinga é um ecossistema protegido por lei, fundamental para a contenção das marés e preservação da biodiversidade local. De acordo com o secretário da Sasan, Renato Benatti, o acúmulo desse volume de resíduos sufoca a vegetação nativa, gera focos de endemias e cria ambientes propícios para a criminalidade. Segundo o gestor, a força-tarefa buscou unir a preservação ambiental ao ordenamento urbano e à segurança de moradores e turistas.
