A redação do Jornal nos Bairros não gostaria de voltar a tratar de temas que parecem não ter mais espaço em uma sociedade que se pretende consciente. Infelizmente, a realidade insiste em contrariar essa expectativa.
Se já causa indignação ver moradores acumulando lixo em frente às próprias residências, muito mais preocupante é constatar o retorno do uso de cerol e linha chilena em Navegantes. A primeira situação revela descuido com o espaço coletivo. A segunda expõe algo ainda mais grave: o desprezo pela vida humana.
É difícil compreender como, diante de tantos alertas e tragédias, ainda existam pessoas dispostas a utilizar materiais capazes de ferir gravemente ou até matar. Quem empina uma pipa com cerol ou linha chilena sabe dos riscos envolvidos. Não se trata de desconhecimento, mas de uma escolha irresponsável que coloca inocentes em perigo.
Na ocorrência mais recente, registrada no início deste mês, a Polícia Militar flagrou mais de 50 pessoas envolvidas nessa prática criminosa. O número chama a atenção e demonstra que o problema está longe de ser isolado.
Os riscos não são hipotéticos. No começo do ano, um motociclista precisou receber mais de 100 pontos após ser atingido por uma linha com cerol enquanto trafegava pela BR-470, nas proximidades do bairro São Paulo. Foi na mesma região que um jovem perdeu a vida em circunstâncias semelhantes, em 2025.
Segundo a Celesc, a maior incidência desse tipo de ocorrência é registrada nos bairros São Paulo e Nossa Senhora das Graças. No entanto, o problema não pertence a uma comunidade específica. Trata-se de uma questão que envolve toda a sociedade e exige a participação das famílias, das escolas, das autoridades e da própria comunidade.
Não existe diversão que justifique colocar a vida de alguém em risco. Cerol e linha chilena não são brinquedos, são instrumentos capazes de provocar mutilações e mortes. Enquanto essa consciência não for compartilhada por todos, continuaremos lamentando acidentes que poderiam ser evitados.
