Após meses de investigação a Polícia Civil concluiu inquérito e indiciou companheiro da vítima por auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica e posse ilegal de arma
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da médica veterinária Laura da Silva Ney, de 30 anos, ocorrida em 27 de setembro de 2025, no apartamento onde ela morava no Centro de Navegantes. Ao final das apurações, o companheiro da vítima, de 38 anos, foi indiciado por auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica contra a mulher e posse ilegal de arma de fogo.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, a investigação se estendeu por vários meses e incluiu a oitiva de dez pessoas, análise de imagens e documentos apreendidos, além da avaliação de 16 laudos periciais. Entre os procedimentos realizados esteve também a reprodução simulada dos fatos.
Durante o andamento do inquérito, o investigado chegou a ser preso temporariamente diante dos indícios iniciais de feminicídio. Com a conclusão das diligências, a polícia entendeu que houve violência psicológica contra a vítima e que essa situação teria contribuído para o suicídio.
O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.

Caso gerou dúvidas desde o início
A morte de Laura gerou questionamentos desde os primeiros dias após o ocorrido. Amigos da veterinária chegaram a procurar a redação do Jornal nos Bairros pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
Natural do Rio de Janeiro, Laura havia se mudado para Navegantes em dezembro de 2024. Formada pela Universidade Iguaçu (UNIG), concluiu mestrado em Patologia Clínica pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) em 2020 e atuava como patologista clínica.
Segundo relatos de vizinhos, na noite do dia 27 de setembro foram ouvidos disparos de arma de fogo vindos do apartamento onde o casal morava. O marido relatou que, ao entrar na residência, encontrou a esposa caída no chão, já sem vida.
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e confirmaram a morte no local. Próximo ao corpo, foram encontrados objetos pessoais e uma arma de fogo.
Descartada a hipótese de feminicídio, o caso foi tratado como possível suicídio. No entanto, relatos de testemunhas sobre disparos e dúvidas sobre a dinâmica da morte levaram à abertura de investigação mais aprofundada.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil entendeu que houve violência psicológica e indiciou o companheiro da vítima por participação na morte.
