Matéria atualizada 16/03 às 11 horas
Após meses de investigação a Polícia Civil concluiu inquérito e indiciou companheiro da vítima por auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica e posse ilegal de arma
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte da médica veterinária Laura da Silva Ney, de 30 anos, ocorrida em 27 de setembro de 2025, no apartamento onde ela morava no Centro de Navegantes. Ao final das apurações, o companheiro da vítima, de 38 anos, foi indiciado por auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica contra a mulher e posse ilegal de arma de fogo.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, a investigação se estendeu por vários meses e incluiu a oitiva de dez pessoas, análise de imagens e documentos apreendidos, além da avaliação de 16 laudos periciais. Entre os procedimentos realizados esteve também a reprodução simulada dos fatos.
Durante o andamento do inquérito, o investigado chegou a ser preso temporariamente diante dos indícios iniciais de feminicídio. Com a conclusão das diligências, a polícia entendeu que houve violência psicológica contra a vítima e que essa situação teria contribuído para o suicídio.
O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.

Caso gerou dúvidas desde o início
A morte de Laura gerou questionamentos desde os primeiros dias após o ocorrido. Amigos da veterinária chegaram a procurar a redação do Jornal nos Bairros pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
Natural do Rio de Janeiro, Laura havia se mudado para Navegantes em dezembro de 2024. Formada pela Universidade Iguaçu (UNIG), concluiu mestrado em Patologia Clínica pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) em 2020 e atuava como patologista clínica.
Segundo relatos de vizinhos, na noite do dia 27 de setembro foram ouvidos disparos de arma de fogo vindos do apartamento onde o casal morava. O marido relatou que, ao entrar na residência, encontrou a esposa caída no chão, já sem vida.
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e confirmaram a morte no local. Próximo ao corpo, foram encontrados objetos pessoais e uma arma de fogo.
Descartada a hipótese de feminicídio, o caso foi tratado como possível suicídio. No entanto, relatos de testemunhas sobre disparos e dúvidas sobre a dinâmica da morte levaram à abertura de investigação mais aprofundada.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil entendeu que houve violência psicológica e indiciou o companheiro da vítima por participação na morte.
Defesa do ex companheiro
A defesa do companheiro da veterinária protocolou, junto ao Ministério Público, um pedido de investigação complementar no inquérito que apura o caso.
A investigação policial concluiu que a morte ocorreu por suicídio, o que sempre foi sustentado pela defesa.
Contudo, a defesa contesta pontos do relatório final encaminhado ao MP, que sugerem o indiciamento do cliente em outros crimes.
O pedido considera os equívocos cometidos pela autoridade policial na conclusão anterior, que resultou em uma prisão injustificada e ilegal por quase 30 dias. Agora, mais uma vez, o relatório final, de forma precipitada, apresenta um indiciamento sem provas, tornando o cliente vítima de acusações injustas.
Oldoni explica ainda que o cliente foi ouvido apenas uma vez, durante o curso das investigações e que, após a mudança na linha investigativa, não foi novamente interrogado pela Polícia Civil.
A defesa requer que o cliente seja reinterrogado e que as testemunhas indicadas, ainda não ouvidas, sejam incluídas nas diligências.
Oldoni reafirma que o cliente permanece à disposição da Justiça e confia que o aprofundamento das investigações permitirá o esclarecimento completo e a comprovação da inocência do mesmo.
