Suspeitos de participar de linchamento são presos em Navegantes

Homem, de 33 anos, foi agredido após ser apontado por populares como suspeito de abuso sexual contra uma criança.

A Polícia Civil de Navegantes prendeu dois homens e cumpriu mandados de busca e apreensão contra os suspeitos de participação no linchamento de um homem de 33 anos, ocorrido em outubro de 2025, no bairro Nossa Senhora das Graças. O homem havia sido acusado informalmente de tentar estuprar uma criança. As prisões foram realizadas nesta quarta-feira (14).

Imagens que circularam nas redes sociais mostram o homem sendo violentamente agredido com pauladas na cabeça, chutes e uma pedrada, no dia 29 de outubro. Em um dos vídeos, uma pessoa incita a violência com a frase: “Se estuprou tem que matar!”. Após as agressões, os envolvidos deixaram o local caminhando, enquanto uma multidão acompanhava o ataque.

A Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência, inicialmente registrada como denúncia de abuso sexual contra uma criança. O homem agredido foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital de Navegantes. Devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser transferido para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde permaneceu internado por vários dias até receber alta.

Durante a investigação, a Polícia Civil apurou que uma moradora do bairro apontou o homem como autor do suposto abuso e, a partir disso, um grupo decidiu fazer “justiça com as próprias mãos’, dando início às agressões. Apesar de várias pessoas estarem envolvidas, a polícia identificou quatro suspeitos com participação direta no ataque. Três deles foram identificados e tiveram medidas cautelares decretadas pela Justiça. Um dos presos confessou a tentativa de homicídio. Dois envolvidos seguem foragidos.

A Polícia Civil destacou que os suspeitos agiram sem qualquer comprovação formal de que a acusação contra a vítima tivesse sido confirmada.

Em relação à suposta tentativa de estupro, o delegado Osnei Valdir informou que a mãe da criança não registrou boletim de ocorrência. Segundo a investigação, ela teria comunicado a conhecidos da região que o homem teria mexido em seu filho de cinco anos, que é autista. O homem agredido nega a acusação. Até o momento, não há provas do abuso, embora a criança tenha relatado que “o amiguinho mexeu no meu bumbum”. Com a repercussão do linchamento, o caso passou a ser investigado oficialmente pela polícia.

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