
ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES
ACADÊMICA: PROFESSORA VILMA REBELLO MAFRA, CADEIRA N. 14
No inverno de 1962, eu tinha apenas 13 anos, mas vivi um dos dias mais alegres e festivos de minha adolescência, comemorando junto com a comunidade de Navegantes a emancipação política de nosso pedacinho de terra localizado à margem esquerda da Foz do Rio Itajaí-Açu.
Acordei com o burburinho da casa, que desde cedo começara os preparativos da festa que se realizaria com uma missa solene celebrada pelo então arcebispo Dom Joaquim Dominguez de Oliveira, seguida pelas formalidades oficiais da criação da paróquia de N. S. dos Navegantes, na casa paroquial, e pela posse do primeiro prefeito Athanasio Joaquim Rodrigues, um dos mais ativos componentes da equipe emancipadora.

Os navegantinos, alegres, soltaram foguetes o dia inteiro, era uma população pequena em número e todos se conheciam. Ao meio dia, a festa continuou com uma grande churrascada para todos, na propriedade de meu avô Athanasio, preparada por sua esposa Etelvina, filhas e noras.
Desde 14 de maio daquele ano, sabíamos desta conquista, do agora município de Navegantes. Meu avô teve um papel ímpar na minha criação e de meus irmãos, após anos de conversas, propostas e lutas políticas ao lado de seus amigos, Osório Gonçalves Viana, Francisco Marcelino Vieira, Vicente Honorato Coelho, João Honorato Coelho, Sebastião Andriani, Onofre Joaquim Rodrigues, João Reis, Arnoldo Rodrigues, Cirino Adolfo Cabral e Olindo José Bernardes, hoje conhecidos como os fundadores (emancipadores) do munícipio, conseguiriam, finalmente, no dia 26 de agosto de 1962, realizar a cerimônia de assinatura da emancipação.
O evento, na sede do União Esporte Clube, contou com a presença do governador de Santa Catarina, Celso Ramos. O registro deste momento hoje faz parte de livros e acervos sobre a história da cidade e foi guardado por minha mãe com muito cuidado, assim como a caneta utilizada por seu pai.
Tudo era festa e alegria para aquela adolescente que nem imagina que, naquele dia, o avô tinha ajudado a criar não só a cidade que eu escolheria viver, casar e criar minhas filhas, mas plantava no meu coração a semente da igualdade, cidadania e democracia. O conhecimento sobre política passava a fazer parte da minha vida e mais tarde me tornou alguém capaz de participar de movimentos democráticos que bravamente ultrapassaram duas décadas de ditadura em nosso país.
“Navegantes, minha terra tão linda
Eu olho com orgulho
As suas avenidas…”
