Jorginho Mello apresentou projetos para controle de cheias durante visita ao Japão e “ilha” em Navegantes está novamente em discussão
O polêmico projeto de construção de um canal extravasor em Navegantes está novamente em discussão. O governador Jorginho Mello (PL) tratou de obras voltadas ao controle de cheias e à segurança hídrica no Vale do Itajaí, durante reunião em Tóquio, no Japão, com representantes da Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão). Entre os projetos discutidos, o canal extravasor em Navegantes e um túnel em Blumenau, para melhorar a vazão do rio.
Jorginho defende como prioritária a criação de um novo canal de escoamento em Navegantes, por tratar-se de um ponto crítico na drenagem da bacia. Segundo ele, com a melhoria do escoamento na foz, será possível executar outras obras a montante, como o túnel em Blumenau, sem causar impactos negativos nos municípios localizados à jusante.
Polêmica da ilha
Em 2023, o jornalista Rogério Pinheiro, colunista do Jornal nos Bairros, trouxe o assunto sobre o projeto que pretende dividir Navegantes ao meio para a construção de um canal extravasor e transformar a cidade em uma ilha.
Depois das enchentes que assolaram o Vale do Itajaí em 1983 e 1984, a Jica realizou um estudo para reduzir os impactos das cheias do rio Itajaí-Açu. Entre as medidas propostas pelos técnicos japoneses estavam a construção de novas barragens, diques e a criação de um canal extravasor, que desviaria parte das águas do Rio Itajaí-Açu para o Rio Piçarras.
O projeto previa a desapropriação de terras em Gaspar, Ilhota, Itajaí, Navegantes, Balneário Piçarras e Penha, para criação do canal, que seria um braço do rio Itajaí-Açu. O canal possibilitaria o escoamento mais rápido das águas durante as enchentes para o rio Piçarras, que deságua no mar, entre as cidades de Balneário Piçarras e Penha. Com a resistência da Prefeitura de Piçarras, que não aprovou o projeto, o canal extravasor foi deixado de lado.
Em 1992, o governo do Estado retomou em definitivo a ideia do canal extravasor para combater as enchentes. O canal extravasor é previsto no projeto para ser construído na jusante da ponte sobre a rodovia BR-101 até o bairro Meia Praia, em Navegantes. O novo braço do rio Itajaí-Açu teria 125 metros de largura, 10 metros de profundidade e uma extensão de nove quilômetros. Na Meia Praia, onde o canal desaguaria, dois molhes seriam construídos com um quilômetro de extensão.

De acordo com Pinheiro, apesar de a Jica apresentar o canal extravasor como alternativa para acabar com as enchentes em Itajaí, o projeto foi criticado por não ter um estudo mais detalhado sobre os impactos ambientais e socioeconômicos. Além disso, nunca foi apresentado um estudo mais aprofundado que garanta que a obra resolverá o problema das enchentes. Outra falha apontada no estudo da Jica foi a não participação dos municípios da bacia hidrográfica do rio Itajaí-Açu nas discussões relacionadas à execução do projeto.
Um grupo de técnicos de três universidades advertiu ainda que existe a possibilidade que a nova foz do rio no bairro Meia Praia provoque um recuo de 20 metros da linha costeira da praia do Gravatá (lado norte do molhe) no prazo de 10 anos e um avanço de 30 metros na praia de Navegantes. Outro temor é que o canal extravasor aumente a taxa de assoreamento na foz do rio Itajaí-Açu e prejudique a atividade portuária.
O parecer do grupo de estudo recomendou que “é preciso mais pesquisas para que um plano de defesa contra enchentes não acabe se tornando um problema ambiental e prejudique o turismo da região”. O mesmo motivo fez com que a Câmara de Vereadores de Navegantes, na época, emitisse pareceres contrários à obra.
O que diz a prefeitura de Navegantes
Em nota ao Jornal nos Bairros, a Prefeitura de Navegantes diz ter tomado conhecimento, por meio da imprensa, sobre o resgate do Projeto JICA.
‘Até o momento, no entanto, não houve comunicação oficial. Embora também não tenha havido apresentação técnica, para a gestão municipal, o projeto, da forma como foi concebido originalmente, pode se mostrar atualmente inviável devido à ausência de adensamento logístico na região.
A Prefeitura de Navegantes permanece com o compromisso de buscar soluções que estejam alinhadas com a realidade local e com o planejamento estratégico de desenvolvimento sustentável para a cidade’.
Ouros projetos
Além dos projetos abordados, também foram apresentadas outras demandas à agência japonesa, como a construção de novas barragens de contenção de cheias, a modernização das estruturas existentes e a realização de obras de melhoramento fluvial. Ao todo, estão previstas 26 obras estruturantes, sendo 25 no Vale do Itajaí e uma na região de Tubarão.
