Mocotó, o saudoso pescador de Navegantes

Ele construía barcos e também navegava

No dia 29 de junho, é comemorado o Dia do Pescador. Navegantes, como o próprio nome diz, é terra de pescadores. Por isso, o Jornal nos Bairros traz uma homenagem a todos os pescadores por meio da história do saudoso Mocotó.  

Moacir Secundino da Costa, mais conhecido como Mocotó, nasceu em 20 de novembro de 1928, em Sambaqui (Florianópolis). Chegou em Navegantes quando aqui aind era um bairro de Itajaí, morou na Rua João Emílio, 300, desde que casou com Nilza, em 1955. O terreno ganhou do pai, Secundino Francisco da Costa, que comprou do seu Mário Gaya, por 25 mi réis. Pai de 10 filhos, passou 40 anos de sua vida no mar.

A filha Cleide Rosane da Costa lembra que ele era mestre de barco e era o único em Navegantes que tinha carta para navegar fora do Brasil, inclusive, entre muitas de suas viagens, levava barcos da Korena para a África. Trabalhou também na Confrio e em empresas de outras cidades e estados. Sempre que voltava para casa, trazia uma barra de chocolate Diamante Negro para a esposa e doces para os filhos.

“Meu pai era muito engraçado, porque eu sou a única filha de 10 filhos, a número 8, e ele sempre trazia estrelas do mar, cavalos marinhos, conchas, caracóis e da África trouxe muitas coisas feitas do marfim de elefantes, pulseiras, anéis, cartão postal”, lembra.

Como bom pescador, gostava de frequentar os bares da cidade. O bar do Caguinha era o ponto favorito para encontrar os amigos. Suas músicas favoritas para cantarolar eram “A majestade e o Sabiá” e Chalana. Por gostar muito de música, um dia levou toda a família no antigo cinema de Itajaí, para assistir ao filme “O Menino da Porteira”, que foi exibido pela primeira vez em 1976.

“Ele era o pai que não brigava. Por estar direto longe de casa, a educação ficou por conta da minha mãe, ela era quem educava, dava as broncas e usava as varas”, riu Cleide, ao contar.

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Morte do filho

Também como todo pescador, teve seus momentos difíceis no mar. Mas o barco naufragado não chegou nem perto do sentimento de perda de um de seus filhos, também pescador. Moacir Secundino da Costa Filho, Puc, faleceu aos 18 anos, por afogamento, em um barco de pesca. Ele trabalhava como cozinheiro em uma empresa de Santos (SP) e, após seis meses fora de casa, morreu no dia 22 de setembro de 1981, numa noite de tempestade, na praia de Angra dos Reis.

“Meu pai tava pra fora, foi muito sofrido, eles tinham o mesmo nome e o mesmo sinal nas costas e sofremos muito, para os meus pais foi a maior dor da vida deles, lembro como se fosse hoje, quando chegaram na porta avisando”.

Construção de embarcações

Além de pescador, Seu Motocó também era um ótimo carpinteiro. Construía bateras, uma, inclusive, foi comprada pelo ex-governador Jorge Konder Bornhausen, que veio à casa do pescador só para buscá-la. Chegou a trabalhar em estaleiros, como o Camarobras, empresa de seu primo José Pires, e estaleiro Dom Osvaldo, em São Domingos.

“José Pires teve uma grande importância e influência na vida do meu pai, primo de sangue meu e “manezinho”, finalizou Cleide.

Baleeira construída por Seu Mocotó

Finalizou sua vida profissional na Marina Tedesco, em Itajaí, levando passageiros de iate até a cidade de Balneário Camboriú.

Seu Mocotó morreu no dia 02 de fevereiro de 2017, por causa natural, aos 88 anos de idade, mas seu amor ao mar e aos barcos é sempre lembrado pelos nativos e pescadores.

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