SC aparece entre os estados com mais acidentes em rodovias federais

Estudo aponta que, apesar da queda nos números em 2025, estado concentra alto índice de sinistros por quilômetro.

Santa Catarina aparece como o segundo estado com maior número de acidentes e de pessoas feridas em rodovias federais do Brasil, conforme levantamento da Fundação Dom Cabral com base em dados da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o estudo, que analisou os registros de 2025, o Brasil apresentou uma leve melhora nos indicadores de segurança viária. Pela primeira vez em seis anos, houve redução nos números gerais de sinistros. Ao todo, foram contabilizados 56.116 acidentes no país, uma queda de 5% em relação ao ano anterior. O número de mortes chegou a 4.799 (-4%) e os feridos graves somaram 15.098 casos, redução de 6%.

Mesmo com a queda geral, Santa Catarina segue em posição de destaque negativo. O estado registrou 8.184 ocorrências, ficando atrás apenas de Minas Gerais (9.559) e à frente do Paraná (7.619). Os três estados também concentram os maiores volumes de pessoas feridas.

No entanto, quando analisado de forma proporcional, Santa Catarina lidera o ranking nacional. Isso ocorre porque o estado possui cerca de 2.345 quilômetros de rodovias federais, enquanto Minas Gerais tem mais de 9.200 quilômetros — quase quatro vezes mais extensão.

Pistas simples concentram casos mais graves

O estudo aponta que rodovias de pista simples continuam sendo as mais perigosas do país, concentrando os acidentes mais graves e letais, principalmente colisões frontais. A falta de separação física entre os sentidos aumenta o risco de ultrapassagens indevidas e impactos de alta intensidade.

Outro dado que chama atenção é que muitos acidentes graves acontecem em trechos retos e durante o dia, situações que podem gerar falsa sensação de segurança e incentivar o excesso de velocidade.

Santa Catarina também lidera o número de trechos críticos em rodovias federais em 2025, com 21 pontos entre os 118 mais perigosos do país. O destaque negativo é a BR-101, especialmente no trecho entre os quilômetros 200 e 210, em São José, na Grande Florianópolis, que registrou 112 acidentes graves. Outros pontos críticos incluem trechos entre São José e Palhoça e em Balneário Camboriú.

Erros humanos são a principal causa

Apesar dos avanços em fiscalização, infraestrutura e campanhas educativas, o comportamento dos motoristas ainda é o principal fator de risco. Segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, cerca de 80% dos acidentes estão relacionados a falhas humanas, como excesso de velocidade, distração, consumo de álcool e cansaço.

Dados da PRF também indicam que seis das dez principais causas de acidentes estão ligadas à baixa visibilidade, agravada por chuva, neblina, fumaça ou iluminação inadequada.

A manutenção preventiva dos veículos é outro fator essencial para reduzir riscos. Sistemas como freios, pneus e limpadores de para-brisa precisam estar em perfeito funcionamento para garantir respostas rápidas em situações de emergência.

Especialistas alertam ainda que a perda de visibilidade pode ocorrer de forma gradual e, muitas vezes, sem que o motorista perceba, comprometendo a capacidade de reação e aumentando o risco de acidentes — especialmente em rodovias de pista simples.

Cuidados ao dirigir sob chuva

A Polícia Rodoviária Federal orienta que, em períodos de chuva, os motoristas adotem medidas simples que podem salvar vidas:

  • Evitar ultrapassagens e manobras bruscas
  • Manter o farol baixo aceso, mesmo durante o dia
  • Aumentar a distância de segurança
  • Reduzir a velocidade
  • Verificar pneus e limpadores de para-brisa
  • Evitar trafegar em áreas alagadas
  • Parar em local seguro em caso de chuva intensa
  • Redobrar a atenção com pedestres e ciclistas

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