
ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES
Acadêmico: Jornalista Fernando Cardoso de Souza, cadeira n. 4
Um dos principais assuntos que estão dominando o noticiário internacional nos últimos dias é a guerra declarada que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irã, causando destruição, mortes e medo para quem vive naquela região e em boa parte do Oriente Médio.
Se não bastasse já tudo de ruim que acontece no mundo, como desastres naturais, miséria, pandemias e desigualdades, o “homem” ainda sempre dá um jeito de piorar tudo, usando a inteligência (humana e agora também a artificial) para começar uma guerra e desestabilizar o planeta inteiro.
Mas, a quem interessa esta guerra contra o Irã?
Será que os Estados Unidos ficaram com “inveja” da Rússia, que está em conflito com a Ucrânia há mais de quatro anos, e resolveram fazer a sua própria guerra, para mostrar todo o seu poderio bélico e reafirmar sua liderança como potência mundial?
Claro que todos os envolvidos têm seus interesses e esta guerra não pode ser compreendida apenas como um confronto militar direto entre estes países. Para os países diretamente envolvidos, a guerra pode servir como instrumento de afirmação política e estratégica. Os Estados Unidos buscam manter sua influência no Oriente Médio e conter a expansão da influência iraniana na região. Israel, por sua vez, vê o Irã como uma ameaça existencial, especialmente devido ao seu programa nuclear e ao apoio iraniano a grupos extremistas armados e hostis ao Estado israelense.
Do outro lado, o Irã procura fortalecer sua posição regional e desafiar a hegemonia norte-americana. Um confronto direto também pode ser usado internamente como forma de mobilizar a população em torno do governo diante de pressões externas, mesmo que isso custe vidas.
Além dos países envolvidos, existem outros atores que podem se beneficiar indiretamente. A indústria global de armamentos, representada por empresas ligadas a organizações como a OTAN e grandes contratistas militares, tendem a lucrar com o aumento dos gastos em defesa e com a venda de equipamentos militares, alguns quase com o prazo de validade vencidos. Países exportadores de petróleo também lucram alto com a instabilidade no mercado energético e elevação dos preços do barril durante os conflitos.
Mas, quem perde com a guerra?
Os efeitos de uma guerra costumam ser amplos e duradouros. Regiões inteiras do Oriente Médio podem enfrentar destruição de infraestrutura, crises humanitárias e novos fluxos de refugiados. A população civil, tanto em Israel quanto no Irã e em países vizinhos, já está sentindo os efeitos da guerra, como ataques a alvos civis, escassez de recursos, deslocamentos e perda de serviços básicos.
Os efeitos também se espalham pelo mundo afora. Estes conflitos impactam no comércio global de energia, encarecendo combustíveis e aumentando a inflação em diversos países, principalmente os mais pobres. As guerras, principalmente no Oriente Médio, costumam afetar diretamente o preço da energia. Se a produção ou o transporte de petróleo forem interrompidos, países do mundo todo enfrentariam inflação, aumento no custo de combustíveis e pressão sobre alimentos e transporte.
Embora governos e setores estratégicos possam enxergar vantagens políticas ou econômicas em um conflito, a guerra tende a ampliar desigualdades e instabilidades globais. No fim das contas, quem mais perde são as populações comuns, aquelas que não participam das decisões geopolíticas, mas que acabam arcando com suas consequências.
É o que está acontecendo, Donald Trump (EUA) e Benjamin Netanyahu (Israel), dentro de seus escritórios e protegidos por seus exércitos, colocaram diversos países nesta guerra, mesmo sendo estes países contra conflitos armados com seus vizinhos. O Irã, por sua vez, está atirando para todos os lados e justificando que está apenas se defendendo. O perigo é que para um país pequeno como o Irã, se defender significa usar tudo que tem contra seus inimigos, mesmo que isso cause um extermínio sem precedentes na história da humanidade.
A única certeza que tenho é que não há vencedores numa guerra, pois sempre há mortos de ambos os lados, famílias separadas, miséria e destruição por toda a parte. Enquanto isso, os poderosos continuam fumando seus charutos e se vangloriando de seus feitos. Já os “senhores da guerra” estão rindo à toa, contando os lucros e preparando novas armas, mais modernas e letais para oferecer a quem possa pagar.
