O Sindicato dos Estivadores de Itajaí vendeu o Estádio Bento G. Pereira, localizado em Navegantes, nas proximidades do cemitério do Centro. Ainda não há informação sobre quem adquiriu o terreno, mas, pela localização privilegiada, é provável que a área seja destinada à construção de empreendimento residencial ou comercial.
A perda vai além da estrutura física. Trata-se de um espaço que integra a memória e a identidade local. A Sociedade dos Estivadores de Itajaí Esporte Clube foi fundada em 30 de julho de 1946, quando Navegantes ainda era bairro de Itajaí.
O estádio nasceu nesse contexto e, em 1951, o clube estreou no Campeonato Catarinense como equipe profissional, demonstrando a força do futebol da Estiva. À época, chegou a obter a concessão do serviço de travessia do rio Itajaí-Açu para que jogadores e torcedores pudessem atravessar o rio nos dias dos jogos de casa. O futebol fazia parte da dinâmica social da comunidade.

Outro campo que hoje vive sob incerteza é o do União Futebol Clube. Em entrevista ao colunista Rogério Pinheiro, em 2023, a diretoria relatou que o Estádio Adolfo Cirino Cabral, sede do clube desde 1955, se mantém basicamente com o aluguel do campo para uma escolinha particular. As propostas de compra são frequentes. Em determinado momento, foi oferecida uma estrutura de clube no bairro Pedreiras. O campo do União estava avaliado em R$ 9 milhões; a área oferecida valia R$ 3 milhões, e a diferença não entrou na negociação. Não houve acordo.
O estatuto do União não permite venda direta, apenas permuta — e sempre com a garantia de outra estrutura esportiva em local equivalente. Não se trata de dividir recursos entre sócios, mas de preservar a atividade do clube. É essa cláusula que, por ora, mantém o estádio em pé.
Seria lamentável ver desaparecer também o campo de um clube fundado em 1949, dono do maior número de títulos da Liga Itajaiense de Desportos entre as equipes amadoras e ainda em atividade, para dar lugar a mais um supermercado ou bloco de concreto.

Cabe, portanto, uma reflexão ao poder público municipal. Diante da possibilidade de permuta, por que não assumir protagonismo e discutir uma solução que preserve a função social desses espaços?
O Município poderia articular uma negociação que garantisse ao clube uma nova sede adequada e, ao mesmo tempo, transformasse a área atual em um parque urbano com equipamentos esportivos, áreas de lazer e convivência comunitária.
Em uma cidade que cresce verticalmente e vê seus vazios urbanos desaparecerem, preservar campos de futebol é preservar memória, saúde e identidade. O desenvolvimento não precisa significar apagamento. Pode — e deve — incorporar a história ao futuro.
