Justiça pelo cão Orelha: a urgência de repensar educação e leis

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA – SECCIONAL NAVEGANTES

Acadêmica: Ana Isabela Mafra, cadeira 12

A sociedade encontra-se profundamente consternada diante do episódio de tortura sofrido pelo cão chamado Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis. Para aqueles que prezam pelo bem-estar animal, o sentimento de indignação é intenso, especialmente diante da percepção de que a responsabilização legal pode não alcançar os adolescentes envolvidos, em razão de serem menores de idade.

Mais do que o desejo por justiça, o fato impõe uma reflexão necessária sobre o processo de formação de jovens que passam a encarar o sofrimento alheio como algo trivial ou até mesmo motivo de diversão. Trata-se de um sinal preocupante sobre os valores que vêm sendo transmitidos no ambiente familiar e social.

Na atuação docente, observa-se com frequência que educadores têm trabalhado de forma isolada na missão de formar cidadãos éticos, empáticos, sensíveis e solidários, comprometidos com seus deveres sociais. Busca-se incentivar ações responsáveis e o pensamento crítico construtivo, em oposição à influência de conteúdos disseminados por determinados influenciadores digitais que, muitas vezes, propagam opiniões infundadas, sem embasamento em estudos ou pesquisas, além de promoverem desafios irresponsáveis e potencialmente perigosos para adolescentes ainda em processo de formação na educação básica.

Nesse contexto, a sociedade necessita de mais profissionais públicos comprometidos, como o delegado Ulisses Gabriel, que, além de conduzir as investigações com rigor e transparência para o esclarecimento dos fatos, adotou o outro cão que também foi vítima de tortura, após tentativa de afogamento pelos mesmos adolescentes infratores.

É inegável que a sociedade adoece diante da recorrência de atos de violência extrema. Tornou-se comum a leitura diária, nos noticiários, de episódios de assassinatos, espancamentos e torturas, atingindo tanto seres humanos quanto animais, o que evidencia um grave processo de banalização da violência.

Diante desse cenário, torna-se urgente a revisão da legislação brasileira, com a reavaliação das penas aplicadas a crimes dessa natureza. Cresce, na opinião pública, o questionamento acerca da eficácia de medidas como a redução de pena e o regime semiaberto, bem como o debate sobre a adoção de punições mais severas, diante da reincidência de torturadores, estupradores e assassinos que, após libertados, vários voltam a cometer crimes graves.

Por fim, é imprescindível reafirmar que a justiça deve ser aplicada de forma equânime, independentemente da classe social ou da idade do indivíduo, garantindo a proteção da vida, da dignidade e dos valores fundamentais que sustentam uma sociedade verdadeiramente civilizada.

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