Incidência de mortes nas rodovias acende alerta para urgência da Ferrovia

Proposta de linha férrea entre Araquari e Navegantes ganha urgência diante do alto número de colisões com caminhões

As rodovias BR 101 e 470 têm sido palco de inúmeros acidentes graves na região envolvendo colisões com caminhões. Nos últimos meses, foi registrada uma sequência de acidentes fatais. O caso mais recente ocorreu em 3 de dezembro de 2025, quando um motociclista, de 37 anos, morreu ao perder o controle da moto após atropelar um pedestre e colidir no para-choque de uma carreta no km 113 da BR-101, em Itajaí.

Em 28 de outubro, uma motociclista de 45 anos, que carregava na garupa a filha de 16 anos, morreu após ficar entre dois caminhões na ponte entre Itajaí e Navegantes. No dia 27 de agosto, um homem morreu ao cair no corredor entre caminhões e ser atropelado no mesmo trecho da BR-101. Em 4 de agosto, outro motociclista, de 46 anos, perdeu a vida ao colidir com um caminhão no viaduto do km 122,9 da rodovia, em Itajaí. Em 3 de maio, o tombamento de uma carreta na BR-101, na divisa de Itajaí e Navegantes, vitimou o motorista e provocou longos congestionamentos. Já em 21 de março, um motociclista morreu e outro ficou gravemente ferido após cair e ser atropelado por um caminhão no km 8 da BR-470, em Navegantes.

A recorrência desses casos evidencia o risco constante nos trechos urbanos das duas rodovias, onde o fluxo intenso de veículos pesados se mistura ao trânsito diário da população.

Alternativa ferroviária para reduzir acidentes

Um projeto que deve ser finalizado em abril pelo Governo do Estado promete descongestionar o tráfego de caminhões nas duas rodovias e, assim, diminuir a incidência de acidentes na região. A Ferrovia dos Portos, em Santa Catarina, prevê 62 quilômetros de extensão, ligando o porto de São Francisco do Sul — passando por Araquari — ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes.

De acordo com a superintendente do Trânsito de Navegantes, Magali Nunes Ignácio, a ferrovia traria impacto imediato na segurança viária.

“Hoje, a nossa região depende quase totalmente de caminhões para abastecer os portos, e isso gera congestionamentos, desgaste da pista e um alto número de acidentes, muitos deles graves, até com óbitos. Quando parte dessa carga migrar para o trem, diminuirá, com certeza, o fluxo de caminhões na BR-101, 280 e 470, e também dentro das cidades. Isso reduzirá colisões, tombamentos e atropelamentos. A ferrovia é uma solução estrutural: melhora a logística, preserva as rodovias e, principalmente, salva vidas”, explica.

O traçado chega a Navegantes pela planície litorânea e se aproxima da BR-470 no acesso ao complexo portuário. Foto: JB

Segundo ela, a migração de parte significativa da carga para o modal ferroviário também tende a aliviar trechos críticos, como a BR-470, a Via Portuária e o entorno da Portonave.

“Além de reduzir manobras de caminhões dentro da área urbana, o trem tem índice de acidentes muito menor por tonelada transportada. As vias férreas são segregadas e não sofrem interferência de chuvas, buracos, ultrapassagens ou fadiga dos motoristas — fatores que elevam o risco no transporte rodoviário”, completa.

Percepção da comunidade
Em enquete realizada pelo Jornal nos Bairros no Instagram, questionando se a Ferrovia dos Portos é urgente para diminuir acidentes fatais com caminhões, 87% dos participantes responderam ‘sim’, enquanto 13% disseram ‘não’.

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