DESCASCANDO O PEPINO

O problema da mobilidade elétrica no Brasil

A Câmara de Vereadores de Navegantes realizou, em parceria com a Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Vigilância e Trânsito (NAVETRAN), um debate público na noite de terça-feira (18), no Centro Integrado de Cultura (CIC), para discutir melhorias e aprimoramentos nas regras e na segurança relacionadas ao uso da mobilidade elétrica no município. Além de autoridades de Navegantes, estiveram presentes também autoridades de cidades vizinhas. Isso porque, o assunto vem sido tema de debate e de preocupação em todo o país.

Desde que as bicicletas elétricas, ciclomotores e afins começaram a circular nas ruas, ganharam repercussão situações negativas envolvendo desrespeito aos espaços públicos, excesso de velocidade, uso inadequado ou inexistente de equipamentos de segurança e a falta de orientação por parte de pais e responsáveis a menores que utilizam esses meios de transporte.

O Brasil tem a velha tendência de remediar, nunca prevenir. Deixam-se produtos serem lançados no mercado sem qualquer debate prévio, sem regulamentação adequada e sem estudos sobre impacto social.

Quando o problema explode, quando o caos se instala nas ruas, aí sim começam as corridas para ajustes emergenciais, reuniões de última hora e resoluções que chegam tarde demais.
A indústria colocou os meios elétricos nas ruas com foco exclusivo no consumo e no lucro, mas ignorou totalmente a responsabilidade social que vem junto com inovação.

O resultado é que sobrou para o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) — e para os municípios — a missão de “descascar o pepino”, criando regras e soluções às pressas para corrigir um problema que poderia ter sido evitado com diálogo, planejamento e legislação antecipada.E aí surgem as perguntas que não querem calar: por que não há maior organização?

Por que os órgãos não trabalham em conjunto, antecipando tendências e preparando o país para o que está por vir? Até quando seguiremos enxugando gelo, lidando com a desordem causada pela falta de estratégia?

Mobilidade elétrica não é modismo: é realidade, é futuro, e exige responsabilidade imediata. Enquanto cada instituição agir isoladamente, sem integração entre municípios, estados, indústria e governo federal, estaremos sempre correndo atrás do prejuízo.

O debate no CIC foi um passo importante, mas ainda tímido diante do tamanho do desafio. Urge transformar conversas em ações concretas, antes que a desorganização continue colocando em risco a vida de quem circula nas ruas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


ATENÇÃO: Você não pode copiar o conteúdo
Direitos reservados ao Jornal nos Bairros