Especial Navegantes 63 anos: História e cultura do bairro São Domingos, em Navegantes.
No “outro lado rio”, havia uma comunidade chamada de Saco Grande, nome dado devido à curva que o Rio Itajaí-Açú apresentava naquelas imediações.
Umas das primeiras famílias daquele povoado, de acorro com pesquisas da senhora Didymea Lazzaris de Oliveira, foram os Cardoso, Reis, Leal, Ramos, Borges, Zimmermann, Batista e Claudino.
Nessa época, predominava no local a plantação de mandioca, que servia de alimentação básica e auxiliava a economia do povoado, como os engenhos de farinha de mandioca de Jose Laurinda, Felício Hostim Junior e dona Henriqueta.
Com a devoção ao padroeiro São Domingos de Gusmão, em 14 de março de 1953, o prefeito de Itajaí, Paulo Bauer, publicou a lei que alterou o nome da localidade de Saco Grande para localidade de São Domingos.
Até 1950, o povoado não possuía uma capela. Um terreno então foi doado pelo casal Paula e Eduardo Leal para a construção de uma capela dedicada a São Domingos de Gusmão. A imagem do padroeiro foi doação dos tripulantes do barco “Triunfo” e Sr. Hipólito Borba doou a imagem do Sagrado Coração de Jesus. Gilberto Luiz Gonzaga tornou-se o primeiro padre a assumir os cuidados pastorais da capela.
Após Navegantes tornar-se um município, a localidade São Domingos virou bairro São Domingos, pertencente ao perímetro urbano, conforme a Lei n º 11 de 13 de maio de 1963, assinada pelo prefeito Cirino Adolfo Cabral.
Orgulho de gerações
O bairro São Domingos cresceu e, atualmente, conta com uma escola estadual e cinco unidades escolares municipais, é sede do Fórum da Comarca de Navegantes, abriga o Hospital Municipal e possui um dos maiores colégios eleitorais do município. É também o bairro referência na construção naval em Navegantes, com estaleiros tradicionais e de destaque, que impulsionam a economia da cidade.
O morador do bairro e apaixonado por história, Roberto Machado, orgulha-se muito do local onde cresceu e onde aprendeu com seus familiares o carinho pelo “são dondom”. Sua história com esse bairro começou antes mesmo de nascer, pois suas bisavó e avó nasceram no São Domingos, quando ainda era chamado de Saco Grande.

“Na casa do pai de minha bisavó, funcionou a primeira escola do bairro, que hoje é a E.E.B.Prof. Paulina Gaya, onde eu estudei do ensino fundamental até o médio, foram quatro gerações a estudar nesta escola”, contou.
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Para o morador, o São Domingos é uma cidade dentro de Navegantes, com o povo hospitaleiro, alegre e que contribui muito com histórias e cultura da nossa cidade.
“Aqui elegemos a primeira vereadora mulher de Navegantes, Marlene de Souza Delfino, e foi onde surgiu a primeira escola de samba de Navegantes, a Acadêmicos do São Domingos. Aqui também tínhamos a segunda maior festa religiosa do município, a Festa do Padroeiro São Domingos de Gusmão, que esse ano completaria sua 75ª edição, pena que acabaram com essas comemorações, deveria voltar, pois São Domingos não é só padroeiro da igreja Matriz , mas também patrono de nosso bairro”, opinou.
