Pontal, o bairro dos pescadores e da cultura viva

Especial Navegantes 63 anos: História e cultura do bairro São Pedro , o Pontal, em Navegantes

As histórias das origens de Navegantes e do Pontal se misturam. Antes tudo aqui era chamado de “Pontal de Areia”. Conforme pesquisas da senhora Didymea Lazzaris de Oliveira, seus moradores identificavam o local como se formasse três comunidades distintas: São Pedro – que abrange as primeiras ruas e compreende grande parte da região; o Pontal – formado pelas ruas que descem para os molhes e para a margem do rio; e a comunidade Farroupilha, mais pobre, às margens da “vala”.

A maioria de seus habitantes era formada pelos gancheiros, como eram chamados os pescadores vindos de Ganchos. Eles viviam exclusivamente da pesca, vestiam, no inverno, grossas e vistosas camisas de baeta vermelha, indumentária que já era tradicional e os distinguia mesmo à longa distância.

Além da pesca, os pontaleiros sempre foram conhecidos pela cultura e criatividade. Foi no Pontal que iniciou em Navegantes a folia do Boi de Mamão e onde também faziam a cantoria do Terno de Reis e Pau de Fita.

O bairro São Pedro, propriamente dito, só foi criado a partir da lei n. 2 de 15 de fevereiro de 1963, assinada pelo primeiro prefeito eleito de Navegantes, Cirino Adolfo Cabral. A lei que “cria o bairro dos pescadores”, em seu artigo 1º, diz o seguinte:

“Em homenagem à classe dos pescadores, a área de terra onde a maioria desses abnegados heróis do mar reside, em Navegantes, fica denominada bairro São Pedro, padroeiro da classe”. 

Oficialmente chamado de bairro São Pedro, em 1964 o bairro ganhou a “Escola Estadual Reunida Regular Professora Emília de Castro Gastão”, que virou Grupo Escolar em 1979. Por desconhecer a história pessoal e profissional da patronesse que era de Itajaí, a comunidade escolar optou por mudar o nome da escola. A professora Irene Romão, filha do Pontal, tornou-se a nova patronesse, em virtude de sua trajetória pessoal e dedicação à educação daquela comunidade.

O decreto n. 3.654 de 28 de dezembro de 1998 então alterou o nome da escola para EEB Professora Irene Romão – a escola que fora construída em terreno doado pela sua família, uma das mais tradicionais do Pontal. Escola esse que muito orgulham-se os moradores do Pontal.

Nasce um ponto de cultura com foco na comunidade ribeirinha

Atualmente, o bairro São Pedro é sinônimo de alegria e união. Foi ali que nasceu o primeiro bloco carnavalesco de Navegantes, o Estrelinha do Mar, que até os tempos atuais anima os carnavais na região. Além de ser o local da preservação da pesca artesanal, com muitos moradores que continuam tirando seus sustentos da pesca e da indústria pesqueira.  

A empresária e professora de dança, Bianca Alcântara, apesar de ter nascido em Blumenau, escolheu o Pontal para morar e instalar um ponto de cultura – que iniciou tímido, após o fechamento de um espaço alugado em outro bairro devido à pandemia, e que hoje é sinônimo de sucesso, sendo certificado pelo Governo Federal desde 2017.

Professora Bianca Alcantara (no centro) escolheu o Pontal para empreender culturalmente

“Cheguei a Navegantes em 1997 e, anos depois, em 2011, escolhi o bairro São Pedro para morar e instalar meu espaço de trabalho. A decisão foi inspirada pela minha família, tradicional no bairro, e também pelo antigo desejo de meus pais de viver nesta comunidade. Foi assim que participamos de um edital nacional concorrido por projetos de todo o Brasil. Entre os contemplados, apenas dois eram de Santa Catarina — e um deles foi o nosso: ‘A Reconstrução de Microempreendedores – Sede Própria Studio Bianca Alcantara’. Com esse recurso, iniciamos a adaptação do espaço físico com acessibilidade, passo essencial em nossa caminhada”, contou Bianca.

Hoje, Bianca, junto com seu esposo Ricardo Testoni, mantém o Ponto de Cultura Dançar e Brilhar, o Studio Bianca Alcantara, o Testoni Inova e a Casa Canto do Farol, iniciativas que unem inovação, formação e preservação cultural.

“Nosso foco especial é a comunidade ribeirinha local. Afinal, o bairro São Pedro é o coração pulsante da cultura navegantina: berço da pesca, da atividade portuária, do desenvolvimento econômico e das belezas do Pontal, que inspiram e dão energia para seguirmos em frente. Neste aniversário de Navegantes, celebro não apenas a cidade que me acolheu em 1997, mas também toda a força de seu povo, que constrói diariamente uma história de trabalho, fé, cultura e esperança”, finalizou.  

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