Sustentabilidade nas Escolas: Uma Urgência Educacional

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL DE SANTA CATARINA SECCIONAL NAVEGANTES

Acadêmica: Professora Ana Isabella Mafra, Doutora em Educação, cadeira n. 12

A realização de cursos sobre sustentabilidade nas escolas é uma necessidade urgente. Vivemos um momento em que os desafios ambientais exigem ações concretas, e a escola, como espaço formador de cidadãos não pode se limitar a trabalhar esses temas apenas na teoria. É fundamental que os professores compreendam que os conceitos de sustentabilidade precisam ser vivenciados no cotidiano escolar, permeando não apenas os conteúdos curriculares, mas também as práticas pedagógicas, os projetos, os eventos e a gestão da escola como um todo.

Além de discutir aquecimento global, reciclagem ou preservação ambiental em sala de aula é preciso envolver os educadores em uma formação crítica, prática e interdisciplinar, que mostre caminhos possíveis para aplicar esses conceitos de forma concreta. Isso inclui desde a organização de feiras sustentáveis e hortas escolares até a revisão do uso de recursos, a adoção de práticas de economia circular e o incentivo a comportamentos conscientes em toda a comunidade escolar.

LEIA TAMBÉM:

A DELICADEZA DO EQUILÍBRIO – Jornal nos Bairros

Portanto, oferecer um curso sobre sustentabilidade voltado para professores é investir em uma educação transformadora, que contribui para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e responsável com o planeta.

Para que a escola promova ações sustentáveis reais é essencial que os professores compreendam os conceitos fundamentais da sustentabilidade. Entre eles, a diferença entre reciclar e reaproveitar precisa ser clara:

Material reciclado é aquele que passa por um processo industrial para ser transformado em um novo produto (ex: papel, alumínio, plástico PET, óleo usado transformado em sabão).

Material reaproveitado é aquele que é utilizado novamente sem passar por um processo industrial, dando-lhe uma nova função (ex: garrafas PET usadas como vasos, retalhos virando colchas de patchwork, latas virando porta-lápis).

Eventos como desfiles com roupas feitas de “lixo” geralmente ignoram esses conceitos. Muitas vezes, o material usado não será reciclado, nem reaproveitado após o evento. É um erro comum transformar resíduos em fantasias de um só uso, criando uma ilusão de sustentabilidade, quando na prática há aumento do descarte e desperdício.

Para trabalhar sustentabilidade de forma prática e consciente na escola antes de propor projetos é necessário ensinar os educadores com conceitos-chave: reciclagem, reaproveitamento, consumo consciente, logística reversa, economia circular, entre outros.

Para haver o planejamento de ações com impacto real é necessário avaliar se as atividades terão continuidade ou se podem gerar mais lixo. Deve-se evitar eventos que envolvam o uso pontual de materiais, que não serão reaproveitados ou reciclados depois.

Exemplos de práticas sustentáveis reais: coleta de óleo usado para produção de sabão/detergente com oficinas práticas; artesanato com materiais reaproveitados (retalhos, papelão, latas); hortas escolares usando compostagem de resíduos orgânicos; campanhas de redução de consumo, não apenas de separação de lixo; avaliação do ciclo de vida dos materiais usados nos eventos,…

Antes de qualquer ação, perguntar: O que acontecerá com isso depois do evento? Vai gerar mais lixo ou vai continuar útil?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


ATENÇÃO: Você não pode copiar o conteúdo
Direitos reservados ao Jornal nos Bairros