Violência nas escolas preocupa pais e educadores na região

Casos de ameaça foram registrados em Navegantes e Penha, nas últimas semanas.

Casos de violência no ambiente escolar têm preocupado pais e educadores. Nas últimas semanas, foram registradas ocorrências de ameaça e porte de arma branca dentro de escolas de Navegantes e Penha.

Em Navegantes, no dia 26 de março, uma adolescente levou uma faca para uma escola no bairro Gravatá, segundo ela para se defender de um colega que vinha ameaçando-a assim como ameaçando outros colegas. Como o menor já tinha histórico de violência, foi transferido de escola, por recomendação do Conselho Tutelar.

Em Penha, um menor que ameaçou colega com faca também foi transferido de escola, nessa quarta-feira (2). O caso ocorreu em uma escola estadual no bairro Santa Lídia. O aluno ameaçou estudantes com uma faca dentro do banheiro da instituição.  

Fora da região, casos de violência nas escolas também preocupam outras cidades do Estado. Em Caçador, no meio-oeste, o Ministério Público pediu internação provisória de um aluno que teria ameaçado matar a diretora da escola. O adolescente, de 16 anos, teria invadido a escola e ameaçado, com uma faca, a diretora, no início desta semana. Segundo o MP, o adolescente já tinha recebido uma advertência por suposta agressão a outros alunos. Na última segunda-feira (31), ele teria voltado à escola armado em busca de vingança contra a diretora.

Educadora diz que violência vem do meio familiar

De acordo com a Doutora em Educação, professora Ana Isabela Mafra, a violência dentro do ambiente escolar vem, principalmente, do meio familiar que o aluno convive. A falta de recursos para o essencial, o ambiente agressivo e a falta de acompanhamento dessa criança são palco da violência.

“A questão da violência na escola é muito do que esse aluno vive no dia a dia. Em minha opinião, a pobreza, a falta de recurso, gera violência. Ninguém é feliz passando fome, ninguém é feliz não tendo roupa para se vestir. Mas qual é o grande problema? As pessoas não estão fazendo planejamento familiar. Que tipo de amor é esse? Porque quem ama não quer ver o seu filho passar necessidade. Quem ama tem que ter uma condição para comprar remédio, comida, para comprar roupas”, enfatizou.  

A educadora conta que alunos perceptivelmente agressivos relatam, eles mesmos, um ambiente de violência dentro de casa. Além disso, a omissão dos pais em relação aos filhos faz com que uma criança ou adolescente leve uma faca para a escola e os pais não estão nem sabendo.

“Eu sei que existe violência em várias esferas, mas quando eles veem o pai e a mãe brigando, falando palavrão, se xingando, eles são a réplica dentro da sala de aula. Uma criança, um adolescente que vê um pai agredindo a mãe ou a mãe o pai, ela é reprodutora disso tudo. Como é que queremos que ela seja boa, se é criada num ambiente ruim?” questionou.  

Outra questão levantada pela educadora foi a mídia em torno desses casos, que faz com que esses alunos queiram chamar a atenção, e a exclusão que acaba incitando a violência.    

“Todos esses alunos são ligados muito em celular, eu sou contra o celular dentro da sala de aula, mesmo porque existem entre os alunos grupos que se formam para excluir outros, eles fazem grupos excluindo pessoas mais pobres, grupos excluindo pessoas pela questão do racismo, questão religiosa. O mundo está muito excludente. Falamos muito de inclusão, no Dia do Autismo, por exemplo, todo mundo se veste de azul, mas eu não vejo os meus alunos abraçarem, se a gente não fizer uma força-tarefa antes de um trabalho, alunos que estão ali, justamente para serem incluídos, serão excluídos”, apontou.  

Como professora da rede estadual, ela tenta o resgate desses alunos, para fazer com que acreditem neles mesmos. Todo ano letivo, ela ressalta que leva seus alunos para pisar num ambiente de universidade, para eles verem que podem chegar onde eles quiserem e fazer uma vida diferente.

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